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Juntas somos mais fortes e mais felizes

Hoje fiquei pensando de que maneira poderia vir aqui, voltar com o blog que tanto me faz falta, e parabenizar as pessoas que tenho dedicado um olhar mais atencioso nos últimos anos, nós, mulheres.

Indico escutar essa música para a leitura desse texto. https://www.youtube.com/watch?v=9upOrq9G-bs&ab_channel=AlecBenjamin

Eu fico tão triste quando penso que vivi boa parte da minha vida sendo ensinada e criada para odiar outra mulher. Não faz sentido nenhum se você parar pra pensar um pouquinho… E é ai que tá, a gente não pensava. Simplesmente seguíamos o rebanho por falta de tempo para meditar um pouco sobre nossas ações. Éramos “ensinadas”, mas não de forma declarada, imposta, definida. Não. Éramos ensinadas em silêncio (o silêncio era algo essencial para uma mulher de antigamente, notem) a criticar, analisar, não gostar da outra fêmea presente no cômodo. A ver outra mulher como competição, rivalidade, disputa… E tudo pelo que?

Pela disputa da atenção de um homem.

É tão animalesco da minha parte dizer isso, eu sei. Mas eu sou ousada. E digo mais, éramos movidas por isso. Cegamente. Vivemos boa parte da nossa história como animais em um ringue, se mordendo, arrancando pedaços uma da outra, enquanto os machos permaneciam na arquibancada tomando cervejinha e esperando a vencedora dessa bela e sangrenta disputa.

Não os culpo, afinal, não odeio homens. Tenho discernimento suficiente para entender que os homens “da minha vida” não tem culpa de toda uma construção social que – ressalto – também lhes foi imposta e que lhes causa também muito sofrimento. Vemos aí no BBB um exemplo muito claro de como o machismo está refletido em relações como de Arthur e Projota, onde o macho é cego de lealdade e admiração por outro macho, mas pela mulher resta apenas o desejo sexual… É algo intrínseco, provavelmente Arthur nem percebe que age dessa forma, mas ele reproduz fielmente o que observou no comportamento da sociedade.

É difícil ter aquela pessoa que está seguindo uma multidão e de repente para e pensa “Ei, por que estamos indo por esse caminho mesmo?”. Mas algo que meu ascendente em Aquário sempre me proporcionou foi ser essa pessoa. No início dos meus 20 e poucos anos comecei a me incomodar com toda essa rivalidade feminina. Percebi que eu, euzinha da Silva, não me sentia à vontade quando outras mulheres comentavam sobre a aparência da Mariazinha que engordou e não está mais tão jovial como antigamente. Percebi que eu me arrepiava toda vez que alguma mulher perguntava se eu “não iria fazer a unha”, ou “dar um jeito na raiz do meu cabelo”. Notei a agressividade atrás de sorrisos, a disputa atrás das unhas feitas e os cabelos impecavelmente arranjados. Compreendi que o esforço das mulheres para estarem sempre convincentes na sua aparência, era nada mais do que um desespero para serem reconhecidas e vistas por alguma coisa. Qualquer coisa. E já que nossa voz não podia ser escutada, ou dita, que caprichemos na única coisa que valorizavam e enxergavam nas mulheres, né?

A aparência.

Vou contar uma coisinha pra vocês aqui: todos nós temos dentro de nós a energia feminina, e a energia masculina. Mas o que machismo fez? Fez com que homens reprimissem sua energia feminina, e que mulheres reprimissem sua energia masculina. Criando indivíduos complemente desbalanceados energicamente falando… Então surgiram homens sem sensibilidade alguma, com medo de expressarem emoções e serem vistos como fracos perante aos outros, e agindo como animais movidos por desejos. E do outro lado mulheres sensíveis demais, com medo de serem diretas, ativas, e serem vistas como ousadas demais, ou “não-puras”. Meu Deus, você deve estar pensando, como nunca pensei nisso antes? O óbvio precisa ser dito, eu sei. Estou aqui pra isso.

Eu fui uma menina que na adolescência não tinha muitas amigas mulheres. Talvez tenha sido minha culpa também, afinal, sou tímida, fechada, tenho vergonha, receio de me aproximar. De outras mulheres então, eu sempre tive muito mais medo, pois sabia o quanto elas eram implacáveis. Os homens, não, eles eram bobões. Aceitavam qualquer coisa desde que você fosse bonita. Então era mais fácil me aproximar deles, entende… Mas as mulheres me causavam uma pressão pra estar sempre “perfeita”, e eu não me sentia “perfeita” em momento nenhum.

Quando fiz primeira tour do meu primeiro livro “Não se apega, não”, talvez tenha sido um dos momentos mais emocionantes da minha vida, quicá da minha existência. Eram filas de 300, 400, 500 meninas para me ver. Eu não acreditava. Era surreal! Meu coração errava o número de batidas. Meninas, mulheres! E elas gostavam de mim! E eu senti todo aquele amor, aquela energia, aquele sentimento de “casa” que a energia feminina pode trazer pra nossa vida… E ali, sem saber, minhas leitoras me deram um insight mágico…

Por que competir com outra mulher quando essa mulher provavelmente é alguém que entende todas suas dores, e sabe exatamente o que você passa? Por que competir com uma mulher, que assim como você, está em um ringue sem nem saber o porque de estar ali? Por que machucar alguém que também tem batalhas contra o espelho, tem o receio de não ser suficiente, e o medo de andar sozinha quando cai a noite? Por que competir se podemos simplesmente levantar bandeira branca, darmos as mãos, e juntas, reescrever a nossa história.

Largue suas armas no chão, mulher.

Nossa revolução será vencida com flores nas mãos, e sorrisos no rosto.

Feliz Dia da Mulher!

ps. nenhum homem foi machucado na produção desse texto 😛



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Isabela Freitas, 29 anos, é autora dos best-sellers Não se apega, não, publicado em 2014, Não se iluda, não, de 2015 e Não se enrola, não, de 2016, que juntos venderam 1,5 milhão de exemplares. Sucesso nas redes sociais, a escritora mineira morou em São Paulo, no Rio de Janeiro e em 2019 retornou a Juiz de Fora, onde se dedica à maternidade e à literatura.

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