Você me odeia? Tudo bem, eu te amarei de volta

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Hoje tenho uma confissão a fazer: por muito tempo fui tóxica. Eu não sabia que eu era tóxica, ou que as coisas que saíam da minha boca acabavam me fazendo mal, por serem coisas ruins, entende. Por muito tempo fui imatura, julguei pessoas pela aparência, “odiava” pessoas… Nossa! Odiar. É algo tão forte, né? Imagine só, odiar alguém.

Por ser exagerada, sagitariana, 0,8 ou 8.000, a palavra ODEIO sempre esteve presente no meu vocabulário. “Ai, odeio feijão!”. “Credo, aquele lugar? Odeio!”, “Fulana de tal? Argh, odeio.” Até que eu parei pra pensar, nossa, odiar é uma palavra muito forte. É um sentimento muito forte. Requer esforço, sabe? Não é fácil odiar alguém. Ainda mais eu, esquecida do jeito que sou, ia ser preciso anotar nas paredes do meu quarto o quanto odeio uma pessoa para me lembrar.

E eu aprendi a não odiar as pessoas… sendo odiada. Vai entender.

Não sei o que as pessoas tem contra loiras (ou se eu que tenho cara de antipática mesmo) mas desde pequena eu enfrentei ódio alheio de outras meninas ao meu redor. Eu era (ainda sou) meio fechada (tímida) com as pessoas que não conheço, e confesso, não faço muita questão de conhecer todo mundo. Me contento com meu pequeno grupinho e é isso aí. Então acho que as pessoas tinham/tem uma visão errada sobre mim, tudo bem, é aquela coisa, nem Jesus agradou todo mundo e ele era um cara maneiro pra caramba, não seria euzinha a mudar o curso de toda uma história, né? Lembro da irmã de uma das minhas melhores amigas. Ela me odiava. Odiava. Odiava. Com força. Às vezes me pergunto se ela escrevia nas paredes do quarto também pra poder se lembrar todos os dias, porque o ódio que ela sentia não era normal. E tipo, eu só existia, sabe? Não fazia nada pra menina, nadica de nada. Eu era a maior pamonha do mundo, nem morava na cidade dela, e aparecia às vezes pra manter o ódio dela em dia, sabe como é.

Brincadeirinha.

Eu ia pra lá porque meus pais me obrigavam. Juro. Teve uma época da minha vida que eu tive até “medo” desse ódio. Eu não entendia o que ela sentia, ficava me perguntando o que tinha feito de errado, e juro que às vezes quando ela fazia algo comigo (não vem ao caso), eu chorava a noite toda com o coração doendo. Eu não queria que ela me odiasse assim, isso machucava muito.

Foi aí que comecei a perceber que pessoas que “odeiam” precisam da nossa ajuda.

Elas precisam se amar. Amar sua vida. Seus amigos. Sua família. Precisam de amor mesmo. Então eu deixei de ver essa menina com os olhos do “ódio” e passei a ver com os olhos do “amor”. Ela me olhava feio, eu desejava que ela fosse feliz. Ela falava mal de mim pra alguém, eu rebatia dizendo que não tinha nada contra ela. Ela começava a namorar, eu torcia para que desse certo. Comecei de verdade a emanar energias boas pra essa garota, porque sinceramente, ela precisava. O tempo passou, e o ódio dela também. Acho que no fim ela percebeu que aquilo era uma estupidez sem fim, ou finalmente aprendeu a amar sua própria vida e parou de encher o saco porque gente feliz não tem tempo pra isso.

Situações como essa me fizeram evoluir muito como ser humano, como pessoa. Me fizeram enxergar as outras pessoas exatamente como elas eram: pessoas. De carne e osso. Com sentimentos e problemas reais. O mundo já tem tanta coisa errada, tanto sentimento ruim, porque cultivar isso dentro de si, entende? Se você me odeia aqui só tem amor. Amor. Amor. Amor. O tempo todo amor.

Na faculdade sofri episódios de “ódio” também. Cheguei a ouvir de uma garota da minha sala que ela me odiava porque 1) eu era mimada, 2) tava sempre de roupa nova, 3) maquiada, 4) e que papai pagava minha faculdade, que eu não sabia o que era a vida. Coitada. Acho que ela achava que eu era uma patricinha de Beverly Hills, só pode. Mal sabia ela que meu pai sempre trabalhou DURO pra me manter em escolas particulares, que eu voltava de ônibus todo dia pra casa, morava do lado de uma favela, que minha mãe apesar de pobre tinha muito bom gosto, e que todas minhas roupas “novas” nada mais eram do que roupinhas que eu e minha mãe víamos em lojas chiques e levávamos pra costureira do bairro fazer igual. E ah, ela não sabia também que nessa época eu dormia 2-3 horas por noite porque já estava escrevendo meu primeiro livro, ganhava algum dinheiro com o blog, e pagava minha própria faculdade. Quando ela disse essas coisas pra mim, juro, pensei em revidar e fazer ela passar vergonha no meio de todo mundo. Mas deixei pra lá. Ela queria me odiar, então iria arrumar outros motivos. Era simples assim.

As pessoas tem que perceber que o ódio não leva a nada. O ódio é uma escuridão que vai apodrecendo tudo de bonito que você tem dentro de você. O problema é que agora o ódio não é só pessoalmente… não. Ficou mais fácil ainda “odiar” alguém na internet. É só pegar tudo que a pessoa fala e transformar em algo ruim.

“Meu sonho é ser médica.”  – Alaaa, que rídicula, não gosta das outras profissões? As outras profissões não servem pra você? Não gosta de lixeiro?

“Eu amo meu cabelo”. – Tssssss. Se acha com esse cabelo, que ridícula. Tá falando mal do meu cabelo enrolado?

Tá vendo só como é fácil transformar uma simples frase em discurso de ódio?

Odiar é fácil. Fácil demais. Eu sei que você deve estar pensando “Ah, mas eu não sou assim!”, será mesmo? Você julga pessoas pela aparência? Você odeia a ex do seu atual namorado? Você já falou mal da roupa de alguém? Já julgou alguém por não ser da sua classe social? Já chamou uma garota de “vadia” só porque ela fica com quem ela quer? Já desprezou alguém chamando a pessoa de “gorda”? Já fez algum comentário maldoso na foto de alguém? Já viu todo mundo na internet humilhando alguém e resolveu humilhar também pra entrar na onda?

Pois é.

Dói perceber que já fizemos essas coisas vez ou outra na vida. Por isso me policio todos os dias, antes de falar algo de alguém, eu sempre penso: isso é positivo? Vai acrescentar? Vai deixar a outra pessoa feliz? Se sim, eu falo! Se não, vida que segue. Não cultivo sentimento ruim no meu jardim. Não quero apodrecer todas as coisas boas que cultivei. Tento todo dia, cada dia mais, ser mais amor. Ser céu. Ser paz.

Não é uma tarefa fácil, afinal, não sou a Madre Teresa de Calcutá, como diz o meu pai. Mas a gente segue tentando. Aprendam comigo uma frase:

Você me odeia? Tudo bem, eu te amo de volta!

Emanem amor. A gente é o que a gente emite. Sejam amor. 

 

 

 

 

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8 thoughts on “Você me odeia? Tudo bem, eu te amarei de volta

  1. Esse texto veio em boa hora! Às vezes parece que todo me odeia, sabe? Já ouvi o mesmo que você na faculdade. Já vi quem eu chamava de melhor amiga me trair. Já soube de pessoas que falavam para minhas amigas se afastarem de mim. Já ouvi comentários maldosos por andar maquiada/arrumada. Ódio gratuito. E a troco do que? Nunca fiz por onde ser perseguida, pelo contrário. Talvez o meu jeito tímido e mais fechado incomode, eu juro que não entendo, mas sempre me sinto mal por causa da maldade dos outros.

    A gente é o que espalha, não o que junta. Eu escolhi ser amor ❤️

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  2. Ameeei, precisava de algo assim, a gente precisa está evoluindo, deixar esses discursos de ódio de lado e emitir amor. No fundo todos só precisamos amar, a nós mesmos e ao próximo ❤. Continua nesse caminho ❤
    Que Deus continue iluminando sua jornada, não esqueça que Ele é único e tudo que precisamos Ele é Amor 😘❤

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