SUA ANSIEDADE NÃO TE CONSOME MAIS

Você provavelmente está se sentindo sozinha no mundo agora. Deitada na sua cama no escuro, observando o teto e viajando dentro de si. Deve estar lamentando e sentindo pena do que você anda perdendo enquanto se sente perdida. Você deve estar sonhando com as loucuras que você queria fazer e não está fazendo. Ou pelos lugares que você queria conhecer e não está conhecendo. Pelos planos que você um dia quis fazer a agora nem sabe por onde começar. Lamentando o fato de ter liberdade para viver sua vida, mas ainda sim, se sentir presa em si mesma. Você está se sentindo solitária, incompreendida e infeliz.

Mas deixa eu te contar um segredo? Você não está sozinha nessa, parceira. Eu também me senti assim, e talvez, ainda vá me sentir um pouquinho depois de escrever esse texto.

Uma das piores partes do transtorno de ansiedade é o medo de não ter ninguém com você. Se sentir completamente anormal no grupo de amigos quando todos estão saindo e se divertindo sem você. É sentir culpa por não estar lá, por ter medo de ir e querer voltar pro seu casulo. Se sentir incapaz de ser feliz novamente. Se culpar pelo fato da sua cama parecer muito mais agradável do que estar na presença das pessoas que você mais ama.

Desculpem-me o termo, mas eu entendo e é fod* mesmo. Sentir que você é um pontinho sem cor perto de um monte de cores vibrantes deixa a gente meio sem esperanças. Sentir que você nunca mais vai sair do mesmo lugar deixa a gente meio sem vontade de se mexer. Sentir que você nunca mais vai voltar a ser quem você era dá vontade de sentar no chão do banheiro e chorar em silêncio até cair no sono.

Eu entendo você.

Antes de vir parar aqui, escrevendo esse texto, eu estava me sentindo exatamente dessa forma. Me sentindo até ingrata por não estar aproveitando a minha voz, ou a minha chance de compartilhar com todos vocês o fato de que eu também passo por isso. Me faltava coragem para colocar em palavras o quão frustrante é querer me sentir completamente em paz e não conseguir. Me sentir um caos em milhões de pedaços espalhados me deixava enroladinha no cobertor. Fugir da luta parecia muito mais fácil do que me expor. Minhas amigas me chamavam para sair e por mais que eu sentisse dor em todos os ossos do corpo, por muitas vezes, me obriguei à ir porque ter uma vida social era importante. Me isolar só iria piorar as coisas, mesmo que essa fosse minha real vontade nos dias mais frios.

Quando fui diagnosticada com ansiedade, depressão e bipolaridade, eu nem sabia o que esses transtornos significavam. Fez sentido o fato de eu querer dormir mais do que sair por aí fazendo as coisas que eu amava fazer. Fez sentido quando eu comecei a chorar no meio da minha festa de aniversário porque estava me sentindo sufocada demais. Tudo se encaixou. No início, eu odiei os remédios que eu teria que tomar para me sentir em equilíbrio. Eu odiei ter que ir na terapia falar sobre o quanto eu estava me sentindo fora de mim.

Eu tive medo das minhas amigas não me acharem mais tão divertida e escondi durante muito tempo do mundo inteiro. Meus sorrisos, muitas vezes, não significaram nada. Eu tentei ser forte, mas me achava fraca por dentro, prestes à desmoronar. Tinha medo de não conseguir meus objetivos ou do pessoal na faculdade não entender que às vezes, eu só não conseguia me levantar da cama - bobeira, eu fazia psicologia e tinha as melhores amigas, e a melhor família do mundo do meu lado.

Com algum tempo, eu aprendi que eu não precisava ter vergonha de bater no peito e dizer que "Eu tenho ansiedade" ou de contar que eu não queria ir a determinado lugar porque eu simplesmente não iria me sentir à vontade. Com o tempo, quem me amava entendeu que não precisavam me pedir para ficar calma, e nem me escrever textos incentivadores, apenas precisavam estar lá por mim.

Eu estou aqui por vocês.

Ontem, para ser mais específica, eu notei que MUITA gente sofre disso diariamente e que eu precisava usar minha voz para dizer-lhes que eu também estou aqui. Ver que muitos leitores precisavam ler algumas dessas palavras me fez sentar na cadeira em frente ao computador hoje e começar a contar minha história. Minha luta diária que a cada dia, me deixa mais forte.

Você, que está se sentindo fraco, você não tem ideia do quão forte e saudável você é. Não importa se você toma comprimidos todos os dias ou não. Não importa se você sente que você não é, porque você é. Depois de entrar na faculdade psicologia, eu aprendi que saúde é saber que você tem um transtorno, mas aprender a viver com ele. Ele não faz parte de você. Você é independente, você é a força que você quer ter. Sua ansiedade, sua depressão ou qualquer outro transtorno que você tenha, meu amor, ele não te consome mais.

Você não precisa ter medo de dizer "Eu tenho ansiedade" ou "Eu preciso de ajuda". Suas cicatrizes de batalha apenas mostram o quão enorme você é na verdade, diate do mundo, minúsculo. Você é do tamanho dos seus sonhos, e seus sonhos podem se realizar a cada dia em que você abre os olhos. Você não está solitária nesta luta. Você pode me dar a mão, estamos juntos nessa.

Se você precisa de alguém para te ouvir, de um ombro amigo para chorar ou apenas desabafar falando sem parar tudo o que você nunca teve a oportunidade de falar. Me chama no twitter, vem falar comigo pelo chat do facebook, ou me chama lá pela página. Se quiser vir por anônimo, me mande um e-mail para duzentaslinhas@gmail.com. Tanto faz, o modo que você se sentir mais seguro e amparado, é com você. Estou disponível para todos vocês.

Lembrando que, se você tem algo, não dispense ajuda profissional, você pode precisar dela. Não tem nada de errado. Você não é anormal, você é humano.

E se eu tive coragem para vir aqui contar tudo isso, você também tem. Sua ansiedade não te afoga mais. Minha ansiedade não me impede de mais nada, também. Eu vou ler os livros que eu quiser ler, vou sair quando eu quiser sair, vou amar quando eu me sentir bem para amar e antes de mais nada, vou ser feliz.

Ps: você também vai. Você vale a pena. Eu amo você.

Escrito por Deborah Sequeira

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males.
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