Duplamente forte

Contos e Crônicas

Se relacionar é ser duplamente forte. É ficar duplamente triste. Duplamente feliz. E continuar sendo um só. Amar é segurar as pontas duas vezes.

Se fosse mole, não pensaríamos tanto antes de nos doar para alguém. Quando um relacionamento começa, entregamos o pacote inteiro. E recebemos o pacote do outro também.

É normal você ficar triste, mau humorado, dar patada sem querer, engolir choros e sapos e querer terminar dias infernais com a cara enterrada no travesseiro. Infelizmente, isso é normal para a outra pessoa também. Quem está do outro lado tem o mesmo direito que você de ficar chato às vezes. Qualquer ser humano precisa ficar chato às vezes.

A chatice do namorado ou da namorada parece vir só para testar o nosso sentimento. Quem gosta de verdade, nem pensa em abandonar o barco. Pergunta “o que tá acontecendo?” dez vezes, sugere “posso te ajudar?” outras vinte. Quando percebe que não há mesmo solução – o problema do outro é do outro e ponto – finge deixar pra lá. E pelo menos um pouquinho, continua sofrendo junto. Nem o coração de gelo mais frio do Brasil consegue deixar totalmente pra lá.

Quem sou eu para definir o sentimento de alguém, mas acredito que aqueles que não se doem junto, não gostam tanto assim. Na primeira grande dificuldade, sair fora surge como primeira opção.

Amar é ter que achar o equilíbrio de dois. Quando a gente gosta de verdade, não mede muito esforço. O equilíbrio é natural. Viver e amar junto é basicamente isso. Só os duplamente fortes sobrevivem.

 

Marcella Brafman

Marcella Brafman é jornalista, escritora e mineira. Autora do blog Sem Clichê, sofre de imaginação fértil e só passa escrevendo. Visite seu blog www.semcliche.com.br, siga no instagram @marcellabrafman, e curta no facebook: http://www.facebook.com/semcliche.

As 35 fotos mais impactantes já tiradas

Fotografia, Listas

Uma coleção de fotos tocantes, emocionantes, e únicas. Cada uma representando um momento importante na vida das pessoas das fotos. Preparados? Preparem o lencinho.

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Jornalistas Euna Lee e Laura Ling, que haviam sido presas na Coréia do Norte e condenadas a 12 anos de trabalhos forçados por cruzarem ilegalmente a fronteira, reencontram suas famílias, na Califórnia, após uma intervenção diplomática bem sucedida.

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Christian Golczynski, um garotinho de oito anos, recebendo a bandeira por seu pai, o Marine Staff Sgt, em seu memorial. Marc, seu pai, foi morto em um tiroteio no Iraque, apenas algumas semanas antes de retornar para casa… Essa carinha de choro e coragem, ain…

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Harold Whittles escuta sons pela primeira vez após um médico colocar um aparelho auditivo em sua orelha esquerda. Lindo, né?

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Foto do garotinho de 2 anos, Agim Shala, sendo passado pelo arame farpado pelos braços de seus avós no Campo de Refugiados na Albânia, 1999.

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PoW Horace Greasley confronta Heinrich Himmler durante uma inspeção ao campo onde ele se encontrava detido… Greasley ficou também famoso por ter escapado e voltado ao campo mais de 200 vezes. Saia para se encontrar em segredo com uma rapariga alemã por quem se tinha apaixonado.

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Prisioneiros judeus no momento de sua libertação de um campo de concetração chamado "trem da morte", perto do rio Elba em 1945.
 
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Os atletas americanos Tommie Smith e John Carlos levantam seus punhos fazendo o gesto dos Black Panthers, chamando atenção para a atual situação dos negros nos EUA, durante os Jogos Olímpicos de 1968. Eles foram expulsos do jogo como resultado…

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Um cidadão francês em prantos ao ver os nazistas ocupando Paris durante s Segunda Guerra Mundial.
 
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Dono reencontra seu cachorrinho que havia se perdido no Tsunami do Japão em 2011.

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O policial aposentado Ray Lewis é preso por participar de protestos na Wall Street em 2011.
 
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Veterano ajoelhado ao lado de um tanque russo de guerra que ele usou, que agora virou monumento.

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Jacqueline Kennedy ainda vestia seu tailleur rosa manchado com o sangue do marido, enquanto Lyndon Johnson fazia o juramento de posse a bordo do Força Aérea Um. De acordo com Lady Bird Johnson, que também estava presente: "Seu cabelo estava caindo rosto, mas ela se manteve firme. Eu olhava para ela. O vestido da Sra. Kennedy estava manchado de sangue. Uma perna estava totalmente coberta de sangue, e sua luva direita estava endurecida, de tanto sangue – sangue de seu marido. De alguma forma, essa foi uma das visões mais tristes – da mulher imaculada, perfeitamente vestida e coberta no sangue "

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John F. Kennedy Jr. saúda o caixão de seu pai, juntamente com a guarda de honra.

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O australiano Scott Jones beija sua namorada canadense Alex Thomas, depois dela ter sido jogada ao chão pelo escudo de um policial em Vancouver, British Columbia. Os canadenses se revoltaram após o Vancouver Canucks perder a Copa Stanley para o Boston Bruins.

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“La Jeune Fille a la Fleur,” uma fotografia de Marc Riboud, mostra a jovem pacifista Jane Rose Kasmir plantando uma flor na baioneta de guardas no Pentagono durante um protesto contra a Guerra do Vietnã em 21 de Outubro, 1967. A fotografia eventualmente se transformou o símbolo do movimento Flower Power.
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Irmãs posam para a mesma foto três vezes, em diferentes anos.
 
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Phyllis Siegel, 76, à esquerda, e Connie Kopelov, 84, ambas de Nova York, se abraçam após se tornar o primeiro casal do mesmo sexo a se casar em Manhattan, em 2011.

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Robert Peraza presta homenagem ao seu filho no Memorial 11/9, durante cerimônia de 10 anos no local onde ficava o World Trade Center.
 
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Soldado do Exército sudanês em alerta na véspera da independência do Sul do Sudão.

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O capelão da Marinha, Luis Padillo, faz o rito de passagem para um soldado ferido durante fogo cruzado numa rebelião na Venezuela.
 
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Foto tirada pelo astronauta William Anders durante a missão da Apollo 8, em 1968.

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Pelé troca camisa com Bobby Moore, capitão britânico, em 1970, como um sinal de respeito mútuo numa Copa do Mundo marcada pelo racismo.

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Uma criança romena dá um balão em forma de coração para um policial durante protestos contra medidas de austeridade em Bucareste.
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Prisioneiro da Segunda Guerra Mundial, se reúne com sua filha novamente. Ela não o via desde que tinha um ano de idade.

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Tanisha Blevin, de apenas 5anos, segura as mãos de uma vítima do furacão Katrina, Nita LaGarde, enquanto ela é evacuada para o centro de apoio em Nova Orleans.
 
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Terri Gurrola reencontra sua filha após servir no Iraque por 7 meses.
 
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Helen Fisher beija o carro fúnebre que transportava o corpo de seu primo de 20 anos, Douglas Halliday, quando ele e outros seis soldados mortos eram levados até a cidade de Wootton Bassett, na Inglaterra.

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Tsunami no Japão.

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Me espere papai! Disse o menino ao seu pai que estava partindo com a tropa de soldados.

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Greg Cook abraça seu cachorrinho após encontrá-lo em meio aos destroços de sua casa que foi destruída por um tornado no Alabama.
 
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Uma garotinha de 4 meses é encontrada em meio aos destroços do Tsunami, imaculada, enrolada em uma cobertinha rosa.
 
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Padre reza por homem que morre enquanto espera seu trem em uma estação.
 
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Uma mãe conforta seu filho em Concord, Alabama, perto do local onde ficava sua casa, que foi completamente destruída por um tornado em abril de 2011.
 
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Um bombeiro dá água a um coala durante incêndios devastadores que queimaram uma região da Austrália, em 2009.
 
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Um cachorrinho chamado "Leao", deitado pelo segundo dia consecutivo ao lado da cova de seu dono, que morreu em um deslizamento de terra perto do Rio de Janeiro, em 2011.
 
De cortar o coração, né…

Isabela Freitas

Isabela Freitas é escritora, blogueira, e exagerada. Louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua. Prega o desapego às coisas que não lhe fazem bem, e acredita que o otimismo e palavras bonitas podem mudar vidas. E aí, pronto para mudar a sua?

Não tenha medo

Contos e Crônicas

Escute enquanto lê:

Finalmente, sexta-feira. Não me lembro quando foi a última vez que me senti assim em relação a alguém, ou melhor dizendo, não sei se algum dia realmente cheguei a me sentir assim. Ele é diferente, sei disso. Talvez seja único. Aquele que a gente espera por toda a vida. O problema de tudo isso é que eu odeio me sentir vulnerável, mas quem se importa? No final vai valer a pena. Preciso acreditar nisso.

Que vestido colocar? O vermelho? Não. Muito vulgar. Aquele estampadinho que comprei semana passada? Acho que ele já me viu com ele. Droga, não tenho roupa. Vou colocar aquele vestidinho preto básico que não tem erro. Enquanto me maquiava e sentia o estômago revirar furiosamente, tive um ataque de riso. Muito irônico que eu estivesse sentindo tudo aquilo que sempre critiquei nas minhas amigas, o tal do amor. Amor esse que era capaz de me fazer voltar aos 16 anos quando eu era apenas uma garota cheia de sonhos e aspirações, e eu odiava isso. Agora entendo porque o amor caminha lado a lado do ódio, nós que amamos, odiamos o fato de ter que nos entregar assim de bandeja. Mas nos entregamos mesmo assim. Opa, campainha tocando. Ele chegou.

- Rodrigo! – essa era minha voz quando estava perto dele? Péssima.
- Ei linda. Tá pronta? – disse enquanto abria a porta do carro para mim.
- Prontinha, vamos?

Dessa vez o Rodrigo tinha escolhido um dos melhores restaurantes da cidade para irmos, fiquei ansiosa porque deveria ter um motivo maior por trás desse “encontro”, não é isso que os homens fazem?

- Rod, onde tá aquele cd do LIVE que eu gosto? – pergunto enquanto vasculho o portaluvas.

Sem respostas. Ele estava com a cabeça em outra coisa, dava pra notar.

- Rodrigo? – insisto.
- Oi, oi. Desculpa, me distrai. Acho que tá aí no porta luvas… LIVE, né? Então você adorou a banda que te apresentei.
- Gostei. Não conhecia, e além do mais, agora lembro de você toda vez que escuto e isso faz dela ainda melhor.

Silêncio novamente. Como assim? To aqui me declarando feito uma idiota apaixonada, e ele nem retribui? Nem um sorrisinho? Nem um ”Awn, linda”? Odeio o amor. Coloquei o CD para tocar e também fiquei em silêncio durante todo o percurso.

Chegamos no restaurante, e ele já foi logo querendo saber.

- Gostou?
- Adorei, ninguém nunca me trouxe aqui antes!
- Claro, você só namorou moleques.
- Ciumento.
- Vem bobona, reservei uma mesa pra gente.

Nossa, como ele faz isso comigo? Deve ser macumba, porque só isso explica a minha vontade de dar piruetas toda vez que ele olha dentro dos meus olhos e dá aquele sorriso. Ai, aquele sorriso. Sua boba. Você não estava com raiva dele há alguns minutos atrás?

- Rod, aqui não é muito caro não? Quer dizer, você não precisa gastar todo esse dinheiro comigo.
- Uma vez na vida acho que preciso sim.
- É, olhando por esse lado, acho que eu mereço, sou a melhor namorada do mundo. – brinco.

Ele não disse mais nada, estava distraído de novo. Agora com o cardápio.

- O que tá acontecendo Rodrigo?
- Oi?
- Sei lá, você tá estranho, com a cabeça na lua.
- To não, linda.
- Tudo bem, não vou insistir. Mas ainda acho que tem algo acontecendo…
- Eu não quero estragar a nossa noite. Depois te falo.
- Não. Agora você vai falar antes que a noite comece. Ou você acha que a hora ideal de despejar as coisas em cima de mim é quando for me deixar em casa???
- Não é isso…
- To esperando.
- Linda, não sei como te dizer isso… Mas acho que não consigo mais.

O que? Não consegue mais?

- Não consegue o que????? – ele estava me tirando do sério.
- A gente.
- Tá terminando comigo?
- Não é isso… Me deixa explicar.
- To ouvindo.
- Você é perfeita demais, igual você disse há pouco, a melhor namorada do mundo. E eu, poxa, não sou nada disso.
- Claro que é, Rodrigo!
- Não sou e você sabe. Você merece uma pessoa muito melhor do que eu posso ser, e sei que pode parecer um clichê, mas não é. Eu realmente sinto que não te faço feliz por completo.
- Quem pode dizer isso sou eu, e sim, você me faz feliz. Deixa disso.
- Não, eu não aguento mais. Isso tá me consumindo, fiquei pensando o dia inteiro… To decidido.
- Então é isso?
- É. Me desculpa… Sei que um dia você vai me agradecer, linda. Te quero muito bem.
- Obrigada por ser mais um idiota que passou pela minha vida.

Levantei-me sem olhar para trás. Eu odeio o destino e as voltas que a vida dá, sério. Por que? Por que??? Eu sabia porque, claro que sabia. Eu sempre fui a pessoa que termina os relacionamentos. Eu sempre fui a pessoa que diz que o outro é perfeito demais. Esse script era meu, não dele. E agora eu estava engolindo meu próprio veneno, e o gosto não era dos melhores. Então era isso que todos os caras que dispensei sentiam? Esse aperto no coração? Essa vontade de gritar e ao mesmo tempo reprimir o sentimento? Chorei durante toda a volta pra casa, que se dane. Vou me permitir sofrer pela única pessoa que gostei na vida. Cheguei em frente ao meu apartamento e não tinha forças para subir as escadas. Saltos nas mãos, maquiagem borrada e coração quebrado.

“Oh I feel it comin’ back again… Like a rollin’ thunder chasing the wind” 

Amo essa música do LIVE. Desde o dia em que o Rodrigo me apresentou a banda, ela se tornara meu despertador pela manhã. Abro os olhos, me espreguiço, pega o celular e vejo uma mensagem nova.

“Oi linda, bom dia. Está lembrando do nosso jantar hoje à noite? Beijos”

Foi um sonho. Ufa. Obrigada destino, acho que aprendi a lição.

Não devemos ter medo de morrer de amor e continuar vivendo.

Isabela Freitas

Isabela Freitas é escritora, blogueira, e exagerada. Louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua. Prega o desapego às coisas que não lhe fazem bem, e acredita que o otimismo e palavras bonitas podem mudar vidas. E aí, pronto para mudar a sua?

Saia do coma

Contos e Crônicas

 

Eu gosto quando o vento bate forte e levanta poeira. Quando o barulho agressivo da chuva faz relaxar. Eu gosto de andar descalço e sentir-me livre. Gosto quando o riso adormece a barriga e emenda com a falta de ar. Eu gosto do cheiro de livros novos, de rabiscar meu autógrafo em páginas limpas e de ocupar todos os cômodos com música quando a casa está vazia. Mas se tem uma coisa que eu gosto mesmo, é de viver. Errando, aprendendo, apanhando, doendo, cicatrizando, refazendo, amando, me desarmando, envelhecendo, vivendo.

Às vezes, criamos em nossas cabeças uma ideia imatura de que tudo e todos estão contra nós. Que o mundo só consegue nos cumprimentar de costas e que sempre iremos ficar no lado esquerdo – e desagradável – das coisas. Quanto drama! Mas depois de algum tempo, uma das coisas que eu mais gosto, como já disse, vem. O vento. Ele traz consigo um aroma diferente e um arrepio de frio avisando que logo em seguida vem a chuva que lava o espírito e renova a alma.

E aí, depois de algum pouco tempo, as coisas começam a melhorar, os sorrisos começam a se fazerem mais presente, pulamos para o lado direito, o mundo resolve nos dar a mão e percebemos que tudo aquilo que “estava contra nós” era apenas uma fase. Uma péssima fase. É que nós, seres humanos, não temos muita habilidade para ter paciência. E isso, sem dúvidas é bastante prejudicial.

Quem foi que disse que ninguém tem problemas? Quem é que nunca tomou um banho de lama? Quem nunca chegou ao seu destino e se lembrou que se esqueceu de algo importante? Quem nunca sofreu por amor, minha gente? Quem nunca chorou de tristeza, perda, angustia e medo? Quem nunca? Ninguém. Todos nós temos dias difíceis, o que muda é apenas a visão que cada um tem sobre o que é um dia difícil.

Às vezes, esquecemos que doer faz parte de viver. Sentir dor é estar vivo. Sofrer é ser vulnerável ao aprendizado. Chorar é fazer uma limpeza na alma. Ter dificuldades é o incentivo à conquista, é ter sede de superação. Precisamos correr no chão liso para saber que esta atitude nos trará machucados. Precisamos quebrar o coração para sabermos o quão difícil e dolorido é recolocar no lugar os pedaços. Precisamos aceitar os nãos da vida para que os sins venham costurados com um “valeu a pena insistir” no futuro. É assim que funcionam as coisas.

Então, não permita mais se sentir uma vítima do mundo. Levanta daí, enxuga esse desperdício de lágrimas e vai apreciar o que a vida tem de melhor. Saia do coma. Deixa doer. Deixa arder. Se aparecer um nó na garganta, desamarra e põe para fora. Se o mundo te virar as costas, faça uma massagem nele. Converta o que é ruim para o que é bom. E quando não parece possível, tente. Não questione o que já foi decidido, tente mudar o que ainda está em planejamento. Você é o motorista da sua vida, logo, você só irá saber qual é o caminho certo após conhecer todos os caminhos.

Wesley Néry, mas pode chamar de Wes. Tem 19 anos, nasceu, vive em Manaus, e sonha em bater as asas em breve. Canceriano, perfeccionista, sonhador e um ótimo ouvinte. Desabafa pelos dedos no Word ou em qualquer linha torta que estiver mais próxima apenas pelo prazer de brincar com as palavras. Segue lá no twitter @weesleynery!

Conte sua História: Depressão e fim de namoro

Conte Sua História

Meu nome é M.M. tenho 16 anos e PRECISO MUITO da sua AJUDA, e das suas leitoras! Namorei um cara por quase um ano. É NAMOREI, porque ele terminou comigo e isso só agravou a minha situação que eu vou te contar agora. Nunca fui uma menina normal sinceramente, nunca fui a mais bonita, a que chamava a atenção dos caras nem mesmo chamava a atenção das outras meninas para que elas pudessem ter o interesse de fazer amizade comigo. E a minha vida inteira vivi assim, com pouquíssimas pessoas para poder conversar. Nunca foi fácil pra mim porque sempre fui muito tagarela com as pessoas que já tenho intimidade e ter alguém para conversar me parece uma NECESSIDADE. 

 
Oi M.M, sua história está aqui e nós vamos te ajudar, né meninas e meninos? Quero todos dando conselhos no fim do post. Vamos lá. Olha, não é todo mundo que nasce linda, popular, com milhares de amigos. Na verdade ninguém é realmente assim. Sabe essas garotas que você considera as mais bonitas? Elas são muito inseguras. Assim como você. Você acha que elas estão sempre rodeadas de amigos? Pois então, são na sua maioria falsos. Você acha que elas chamam atenção como queriam chamar? Não. Às vezes as pessoas procuram só beleza nelas, quando na verdade elas queriam ser notadas pelo que elas são. Então eu te digo, alguns conseguem despistar mais que os outros, mas no fundo todos se consideram verdadeiras farsas. Todos escondem suas inseguranças, seus medos, seus defeitos. Então não se considere inferior, você não é. Arrumar amigos de verdade é difícil, veja bem, só fui encontrá-los após os 20 anos! Se você gosta de conversar, porque não arrumar amigos na internet? A internet é uma ferramenta muito legal para quem se sente sozinho. Poder conversar com pessoas que também querem só um bom papo, e não status, ou beleza. Experimente fazer amigos por aqui (que tal começar com as meninas que vão comentar no post? Aposto que um monte delas vai querer ser sua amiga!)
 
Até que eu conheci um cara e nós começamos a namorar, só que depois que completamos 9 meses de namoro ele começou a me pressionar para transar com ele. Ainda não me sinto pronta, tenho medo e insegurança, ainda não quero perder a minha virgindade, mas o amo. As nossas brigas se tornaram frequentes, pedi minhas únicas amigas e nada me restou a não ser minha família. Isso me causou muitos problemas. 

M.M, isso é completamente normal, não se sentir preparada. E digo mais, você não o ama. Não de verdade, profundamente, absolutamente. Se amasse, se entregaria sem pensar, sem medo, sem insegurança; tenho certeza. Digo isso porque namorei anos com um garoto quando era mais nova, e eu achava que o amava, achava mesmo. Mas nunca tive a segurança para transar com ele, e isso ficou muito claro depois que terminamos. Eu não o amava… Amor na vida é uma vez só, só uma… Então por favor, não coloque seu ex namorado no pedestal. Ele não merece isso.

Quanto às suas amigas, não sei porque você as perdeu. Acredito que seja devido ao namorado, porque você se fechou tanto com ele, que acabou esquecendo das amigas. Acertei? Se for isso, que fique a lição, nunca abandone uma amizade certa por um amor incerto. Geralmente o amor nos decepciona, a amizade verdadeira, não.

Comecei a ter muitas crises, de nervoso, de choro, de pânico já fui em alguns médicos, psicólogos e eles acham que estou com depressão. É tudo de verdade, mas meu namorado, ou ex, jogou na minha cara que era drama (quem dera que fosse). E isso mais uma vez acabou comigo, até que para piorar tudo quando faltava apenas 4 dias para que nós completássemos 1 ano de namoro ele terminou comigo e disse que o motivo era que ele queria sexo, e que não poderia mais me esperar. 

Calma aí, para tudo. Você ainda acha que ama um cara desses? Você ainda tem coragem de chamar um cara desses de namorado? Você ainda quer um cara desses de volta? Sinceramente. Me parece que ele é mais um daqueles babaquinhas que só quer sexo, e pronto. Se ele te amasse, o sexo não importaria nem um pouco, sério. Eu tenho um amigo que namora há 4 anos com uma garota, isso mesmo, 4 anos, e ela ainda não se sente preparada. E posso dizer, ele nunca terminou com ela por isso, espera pacientemente pelo dia que ela vai se sentir preparada para fazer sexo com ele. É claro que ele deve morrer de vontade, deve se masturbar loucamente, quase morrer de tesão, mas quem liga? Quando a gente ama faz cada loucura… E isso é realmente difícil, digo, encontrar alguém que te espere, te entenda, cuide de você. Só quem ama faz isso. Quem não ama… Faz o que ele fez. Duvida da sua depressão, duvida da sua tristeza, não se importa com o que você sente. Ele pouco se importa se você está bem, desde que esteja ali na cama dando prazer a ele… Isso não é amor. Quem deveria ter largado dele, era você menina. Se dar o valor, procurar alguém melhor, alguém que goste de você, e não do que você pode oferecer… Se é que me entende.

Fiquei desesperada, ameacei ele de nunca deixá-lo em paz, de perseguir ele e todas as meninas que ele ousasse ficar, me comportei feito uma verdadeira louca mas de nada resolveu ele não voltou atras e terminou comigo porque eu não quis transar com ele. Eu não consigo fazer nada não consigo sorrir, e são raras as vezes que me levanto da cama, não tenho nenhum amigo, perdi o único que era meu namorado e agora não tenho ninguém. Sabe quando parece que o sentido da vida acabou? Não que eu esteja assim somente por termos terminado, claro esse também é um dos motivos mas os dois maiores são: a desculpinha que ele usou de terminar porque não podia mais me “esperar” e o outro foi ter tido a certeza que eu não tenho amigos, não tenho ninguém para me estender a mão e me dizer que vai passar =/ E agora?? Me ajuda por favor!!

M.M, sabe quem vai estar ao seu lado sempre? Que vai ser a certeza de uma palavra amiga? Que vai te dizer que vai passar? Sua família. Eu posso ter amigos, mas quando a situação aperta, o coração dói, são aos meus pais que eu recorro. Só eles podem nos dar um abraço verdadeiro, apertado, acariciar nossos cabelos, e dizer que tudo vai passar. Porque quando estamos ao lado deles, estamos protegidos. Se envolva nessa proteção com os seus pais, agradeça a Deus por ainda tê-los, muitas pessoas nem isso tem, sabe? Quanto aos amigos, se eles se foram, é porque não eram verdadeiros. E quem precisa de amigos falsos? Acalme-se. A vida nos traz tudo no tempo certo. Não entre em uma depressão por coisas que você nunca teve. Você nunca teve um namorado, você nunca o teve como amigo, você nunca teve outros amigos. Desde o início eles eram apenas fases às quais você teria que passar. Não lamente a partida deles, se despeça com um sorriso, e acredite que coisas melhores virão. Porque elas sempre vem… Mas você precisa estar com a porta aberta, e com a cabeça vazia de problemas. Esquece, desapega, deixa no passado. O futuro é lindo, tenho certeza. 

Promete pra mim que você vai parar de se lamentar por coisas que não tem valor algum?

 

 

Isabela Freitas

Isabela Freitas é escritora, blogueira, e exagerada. Louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua. Prega o desapego às coisas que não lhe fazem bem, e acredita que o otimismo e palavras bonitas podem mudar vidas. E aí, pronto para mudar a sua?