Já perdi o meu cabelo todo, não reclame do seu

Recebi esse email e decidi que seria legal compartilhar aqui no blog pra gente poder dar mais valor ao que realmente tem valor. Leia a história da nossa leitora e mude alguns pensamentos :)

"Oi, Bebela. Tudo bom? Eu sou a A.B. e tô aqui pra contar uma história. Um capitulo da minha vida que eu gostaria MUITO que você lesse.

Eu tenho 16 anos e no meio do ano passado o meu cabelo caiu. Não de forma normal porque cabelo cai, né? É que eu tive uma doença e ela me trouxe muita tristeza na época, porque eu não conseguia ver o quanto aquilo estava me fazendo amadurecer. Com o tempo meus fios foram caindo, e por onde eu passava tinha um mar de fios a minha volta. O inicio talvez não tenha sido a pior parte. Não que eu não tenha me desesperado, porque foi a primeira coisa que eu fiz. Mas é que, eu tive que aprender a lidar com isso. Eu não sabia me acostumar com ele caindo, nem queria. E por que ele caia? Simples, era uma doença relacionada ao sistema nervoso. Toda vez que eu ficava triste, ansiosa ou com raiva, ele caía. E caía fazendo estrago. Fios e fios no chão.

A parte mais difícil foi ver que o tratamento era lento. Eu não iria ficar careca, mas ele só caía. Fui em médicos e todos diziam a mesma coisa. É alopecia, você tem que ficar calma. Mas poxa, ficar calma? Naquela época eu sentia cada vez mais desespero quando ele caía. Eu olhava no espelho e via aquelas falhas enormes. Essa doença estava tirando de mim uma das partes que eu mais amava, o meu cabelo. MEU cabelo. E ele era enorme, sabia? Mesmo. Até que um dia eu quis doá-lo. Doei tudo e isso até ajudou no meu tratamento. Me vi tomando remédios e mais remédios todo dia. Passando creme e loções na cabeça. Fazendo exames. Ate que um dia, ele cresceu. E foi umas das notícias mais felizes que eu tive. Desculpe informá-la, mas essas palavras me trazem lágrimas. Não de tristeza, mas por um filme estar passando na minha cabeça e ver por quantas dores tive que passar. Doeu muito, viu?

Ele crescia, mas caía. Aquela luta ainda não tinha terminado. Infelizmente. Mas eu procurei me ocupar e esquecer. Deixei os fios irem. Fui tratada por médicos e residentes que só me deram mais certeza da profissão que eu queria seguir. Medicina. Eles tiveram tanto carinho comigo, por que não fazer o mesmo?

Mas ele caía e caía. Cada vez que eu ficava mal, vários fios iam para o chão. E as falhas? Pior parte. Eu queria que ninguém visse, que ninguém sentisse pena de ver aquele cabelão se tornando pequeno. Me chamavam de maluca por ter cortado, mas pra mim, eu só tinha feito bem dando para quem precisava.

Hoje estou aqui, algum tempo depois. Naquela época eu tinha na cabeça que doenças só serviam para nos machucar, mas não só por fora e sim, por dentro. Passei bastante tempo machucada. Tive ajuda de um anjo chamado amigo, e que está comigo até hoje (namorando até, hahahaha) e de outros anjos da minha familia, mas encontrei meu remédio na felicidade. Meu cabelo só iria crescer e parar de cair se eu deixasse esse sentimento tomar conta de mim. É claro, ninguém é feliz o tempo todo. Mas procurei ser feliz e despreocupada. Me divertir e principalmente, ver o lado bom das coisas. Com o tempo fui descobrindo que existia outras coisas que faziam ele cair, mas eu estou feliz, sabe? Ele cresceu e eu quase não vejo falhas. Essa doença me fez ser a pessoa forte que sou hoje. Me ajudou escolher a profissão que eu vou amar. E eu posso dizer, transmito felicidade e amor. Sou controlada e não me desespero tão facilmente, graças ao meu cabelo. Infelizmente a doença atacou a minha parte mais amada: meu cabelo. Hoje ele está aqui cheio de brilho.

Então se um dia alguém ousar em falar que o cabelo te irrita, quer cortar, não gosta dele porque não é do jeito que você queria. Pode ter certeza, ele é exatamente do jeito que deveria ser. Eu aprendi na dor, mas quero passar pra você que está lendo e pra outras pessoas que não precisa ser assim. Basta se amar. Amar cada parte de si. E deixa o resto acontecer. Parecia ser até injusto ficar tão mal naquela época, porque eu sei, existe tantas doenças piores por ai. E eu não tive nada pior, graças a Deus.

Então, Bebela, se você chegou até aqui e leu isso tudo. Muito obrigada. Por cada palavra do seu livro que me ajudou bastante nessa fase. Você é uma escritora e tanto e merece todo sucesso do mundo! Queria sua ajuda para mostrar para as pessoas que elas deveriam se amar mais, se cuidar mais e amar cada parte de si.

Com amor, de uma fã."

Escrito por Isabela Freitas

Isabela Freitas tem 25 anos, mineira, atualmente em São Paulo, mas vive mesmo no mundo da Lua. Gosta do número 7, amores de arrancar o coração, bichinhos de rua e músicas fofinhas. Ah, ela adora signos também. Sagitariana, teimosa, sincera, sonhadora, dramática e um pouco exagerada. Mas só um pouquinho. Autora dos livros "Não se apega, não" e "Não se iluda, não", e você pode comprá-los aqui. Juntos eles já venderam 500.000 exemplares e até hoje eu não acredito nisso.