Ela se perdeu

Ela não se lembra de como aconteceu.
O momento exato em que se perdeu e não conseguiu se encontrar mais.

Seus amigos começaram a enviar mensagens:
"Você sumiu"
"Hey, garota, por onde você anda?"
"Vamos sair? Há tempos não te vejo".
E mesmo assim, nenhuma delas a despertou para o que estava acontecendo.

Ela havia se perdido nele.
Isso era óbvio para todos nós.

Não era mais a garota animada que sempre aceitava um convite para sair e mostrar seu sorriso e sua simpatia por aí, a cada parada.
Ela o fez grandioso demais e não existia mais espaço para outras pessoas.
Mas, ainda assim, ela acreditava estar vivendo a sua vida e sendo feliz com as pessoas que ela amava - ele.

Como ela estava errada!
Ele a sufocava, a cercava e não deixava ninguém chegar perto.
Se saíam com os amigos dela, ele ficava de cara fechada e acabava com a noite que ela havia planejado há tempos.
Se saíam com os amigos dele, eram flores e sorrisos para ele,
O que preenchia seu coração momentaneamente, mas ela ainda não conseguia enxergar.

A mãe dela percebeu e comentou:
- Você não sorri mais, filha. - lamentou a mãe.
- Mãe, você está louca, eu sorrio sempre. - ela soou indignada e saiu, batendo a porta do quarto.
Então ela percebeu.

Não se lembrava de quando foi a última vez que sorriu.
Começou a pensar que a vida antes dele era mais alegre.
Ela vivia sorrindo por ruas, festas, casas de amigos e bares afora,
Mas, agora, pouco sorria, e quando acontecia, era quando ele não estava por perto.

Ela sabia que não era a mesma mais, apesar de ter as mesmas sardas e altura, o mesmo peso e gosto para bandas antigas, o velho cabelo bagunçado e amar mousse de maracujá.
Havia mudado suas atitudes e deixado de lado todas as pessoas que estiveram lá por ela uma vida toda, por uma que conhecia havia poucos meses.
Não que isso fosse ruim, porque não era.
O ruim era não saber conciliar, não saber lutar por ser quem ela sempre foi, era deixá-lo tomar conta da vida dela de maneira tão absurda.

Ela precisava voltar, precisava responder todas aquelas mensagens dos amigos, precisava pedir desculpas à mãe e todos aqueles que deixara de lado por ele.
Precisa, sobre tudo, conversar com ele.

- Eu não vou mudar! - ele gritou - Eu sou assim!
- É uma pena... - ela se lamentou - Eu vou mudar, porque eu não sou assim.

No fim de tudo, ela viu que aquele relacionamento tinha valido a pena.
E essa era quem ela era: a pessoa que via um lado positivo em tudo.
Ele a ensinou que o amor de verdade transforma o casal, os faz aprender a conviver com todos os lados, amigos, família e gostos do outro.

O amor não anula, não faz perder.
Ele soma, te faz se encontrar e ser a melhor versão de si mesmo.

Essa era ela agora:
A melhor que podia ser.
Para todos.

Escrito por Grazielle Vieira

Mineira, 23 anos, extremamente pisciana, advogada por graduação, blogueira e escritora no Vigor Frágil, colunista nos blogs Isabela FreitasEscritos Meus e Me Apaixonei.
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