CATEGORIA: Contos e Crônicas

Está escrito nas estrelas

Se eu apagasse as luzes do quarto e você não pudesse mais me enxergar, você ainda me amaria?

Se eu dissesse que meu diploma é uma fraude, você ainda sentiria orgulho de quem eu sou?

Se eu queimasse todo o meu dinheiro e leiloasse meu carro, você pegaria o metrô comigo até o parque aos domingos?

Se eu não te desse mais flores nem chocolates todas os finais de semana, você duvidaria do que eu sinto por você?

Se eu largasse a academia e decidisse experimentar todos os restaurantes de São Paulo, você aceitaria minha decisão?

Se amanhã eu simplesmente decidisse que tudo o que eu sou, tudo o que eu construi não me faz mais feliz, você apoiaria minha nova vida?

Eu preciso te contar alguns segredos sobre o amor, talvez alguns sobre a parte de mim que você ainda não conseguiu conhecer.

Será que você permaneceria se soubesse que eu não sou a pessoa pela qual você se apaixonou?

Eu vou cancelar as nossas férias de verão, vou colocar você em um vagão, vou te levar para o meio do nada, em plena escuridão. Você vai notar que não existe luxo, que não existe dinheiro, que não existe nada nesse mundo que pague a companhia de quem a gente deseja, não importa quem seja, nem onde você esteja. E afinal, quero que você descreva para mim, se ainda prefere o nosso hotel, requintado, cinco estrelas ou o meu céu infinito, grátis, com um bilhão de estrelas.

Escrito por Kauê de Paula

24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

O prazer é todo meu

E você tinha aquele brilho no olhar que me seduzia de uma forma inexplicável. Eu sabia que estava fadado a ser seu de qualquer maneira. Era uma batalha perdida contra a razão que lutava dentro de mim para não se apaixonar mais uma vez. E eu perdi a semana inteira com o pensamento em você, buscando entender o que deveria ser feito para que dessa vez, enfim, desse certo.

Eu construí situações fictícias, onde você sempre sorria para mim quando eu pegava a sua mão e dizia que você era a coisa mais linda que eu já havia conhecido. Eu fingi que tudo era real, que nós passeávamos no parque de domingo, tomando sorvete e dando risadas sem motivo algum. Eu deitei a última noite com o pensamento em você, imaginando que você pudesse estar ali comigo, para que eu pudesse fazer cafuné nos seus cabelos durante todo o seu sono.

Se apaixonar é mesmo uma tremenda dor de cabeça. Eu estava disposto a fazer das maiores loucuras por você, e você mal me conhecia, e eu não sabia com qual intensidade deveria te abordar. Eu sempre fui um desastre nesse roteiro esquisito do amor.

Eu fiz todo o set-list das músicas que a gente cantaria junto, eu criei o tour perfeito de amor que a gente faria em todas as nossas férias juntos. Eu criei os jogos que a gente jogaria nas noites chuvosas, eu selecionei os filmes do Netflix que veríamos comendo brigadeiro madrugada adentro. Eu casei com você nos meus pensamentos, peguei a sua mão e te fiz a mulher mais feliz que poderia existir. Só esqueci-me de te avisar disso tudo.

Eu quero a oportunidade de conhecer quem você realmente é. Eu quero poder ouvir de você cada palavra que define o teu caráter, cada livro que descreve os teus sonhos, cada desejo que descreva o teu futuro ideal. Eu quero poder reescrever um milhão de vezes a nossa vida, até que fique exatamente como você sonhou. Até que você seja totalmente feliz comigo, para que você jamais vá embora. Quero dividir meu mundo com você, me dê essa oportunidade e eu prometo fazer por você as coisas mais belas que você vera durante a sua vida. O tempo é estranhamente curto demais. E eu sinceramente espero que você fique.

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Escrito por Kauê de Paula

24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

O amor passou por mim. Fingi que não vi.

Se tomei a decisão certa só o tempo pra me dizer, mas eu ainda me lembro das erradas que fiz. Lembro do desespero crescente de estar em mais um relacionamento fadado ao fracasso justificando meus esforços na frase "mas eu gosto dele". O que era esse gostar, afinal de contas? Lembro das promessas irracionais que recitava com a convicção de uma criança que tenta evitar o castigo. Lembro que, dentro de mim, eu sabia o quão tola soava ao pedir chances e mais chances sem qualquer possibilidade de retorno, e mesmo assim não fazia nada.

Outro dia, o amor passou por mim. Fingi que não vi. Não me leve a mal, mas eu já conheci muitos caras por aí. Distribuí oportunidades que certamente sequer foram acatadas. Eu só queria que desse certo, tanto que deixei de lado os pré-requisitos que, geralmente, nos poupam as dores. Até que entendi que ceder faz parte, mas se submeter é loucura. Parece papo de alguém desacreditada, talvez até mal-amada, que ainda está em busca de uma metade que sequer lhe falta. Não é porque minhas prioridades mudaram que eu deixei de lado minhas preferências.

Levei a vida inteira pra ser quem sou e já nem me espanto se amanhã me reinventar outra vez. Eu vivo por mim, seguindo minhas vontades, desviando dos meus medos, e aqui ou ali pegando um atalho da paixão à solidão. Já me costumei, inclusive, com a angústia de quando ambas se encontram, e acabo me vendo sozinha mesmo acompanhada. Mas hoje, sobretudo, respeito meu tempo. Não dá pra se recuperar da noite para o dia, sejamos francas. Como eu poderia fazer bem à alguém quando maltrato a mim mesma?

A gente pensa que entende como isso funciona, mas se perde ainda mais a cada pista. A gente acha que por não fazer nada de errado temos como recompensa o gostar recíproco de quem nos dedicamos. A gente, no fundo, espera não ser aquele que gosta demais, aquele que nitidamente estaria disposto a tudo, mas torcemos em silêncio que tenhamos quem lute por nós. Já cheguei a duvidar do amor mais vezes do que gostaria. Sempre me pareceu uma equação falha em que duas ou mais pessoas que se atraem procuram meios de se repelir. Já acreditei que amor era também vivenciar o medo porque é impossível conhecer tão bem a si mesmo, quem dirá, a quem temos ao lado. Ou seja, quando não é um tiro no escuro? Às vezes, acho que eu e ele não fomos feitos para ficar juntos, e daí me pergunto "será que alguém já foi?"

Quando olho a minha volta está todo mundo tentando se desvencilhar ou não se apegar a uma relação. Temos medo, sim. Medo de sofrer, medo de não correspondido, medo de ficar por baixo. Quem faz dar certo é quem tem coragem. Quem engole a seco os riscos de um coração partido em prol da união de vários cacos. Porque, no fim das contas, estamos mesmo estilhaçados e procurando nos recompor ao menor sinal de compaixão alheia. Não tem segredo, sabe? Se você quer viver esse grande amor tem que morrer de amores todos os dias. Daí é só uma questão de tempo encontrar quem esteja disposto a enfrentar seus próprios medos por ti.

Deixa o amor lá e eu aqui. Cedo ou tarde, a gente se esbarra de novo. E pode ser que eu acabe por segurá-lo com as próprias mãos e tente não deixá-lo ir. Não seria a primeira vez, aliás. E nem será a última. A gente sempre pode investir em alguém, dar atenção para aquela vozinha que nos diz ao pé do ouvido que vale a pena. Tudo é uma questão de oportunidade e interesse. Mas não é todo dia que estamos tão seguras, e nos sentindo tão bem conosco que podemos dizer "Calma, fica aí na sua. Vai chegar a hora de te dividir, mas agora, eu sou minha".

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Escrito por Samantha Silvany

Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.

Sobre aquela sua mensagem: ''É melhor pararmos por aqui, fica bem.''

Eu até poderia te ligar agora, como tantas vezes te liguei e depois me arrependi, pra te lembrar do calor dos meus braços, do vinho a beira mar, dos filmes no sofá da minha casa, do cafuné no chão da tua sala, dos nossos pés gelados por fora do edredom, das músicas que você errava o refrão, dos tantos livros que esqueci no banco do carro, da minha companhia nos lugares que só você conhecia e eu nem gostava tanto, do teu cotovelo batendo na minha cabeça quando você tentava me fazer algum carinho, do teu celular vibrando, eu insinuando que alguém estava quase te roubando de mim e você sorrindo me chamando de bobo. Eu te dizendo que preciso levantar da cama porque tenho aula e o professor não tolera atrasos, e você me puxando pra ficar mais um pouco, e eu me cedendo por você, e você perguntando se eu prefiro ovo mexido ou mal passado, eu te respondendo - enquanto calço o sapato - que tanto faz porque ver você de samba canção e com o cabelo embaraçado no fogão era engraçado e ao mesmo tempo me fazia um bem danado. Você com aquela mania de olhar o Facebook enquanto come. A gente puxa um assunto sobre a novela e no fim marcamos um viagem no próximo final de semana, eu digo que preciso ir, você me encara como se dissesse pra ficar mas eu não posso. Você me prometeu que voltaríamos a nos falar, lembra? Daí, você me acostumou ao teu cheiro, teu beijo, teu corpo, me escancarou a vida e me deixou assim, totalmente despreparado pruma hora dessas que você resolve partir.

Eu deveria te mostrar aquelas fotos da nossa última viagem e te chamar atenção pro tamanho do seu sorriso ao meu lado, deveria te pedir pra olhar as nossas conversas de dois meses atrás, onde a gente se tolerava e se resolvia. Cê disse que tinha adorado aquela nossa saída porque eu te fazia mais feliz do que qualquer outra pessoa já tinha te feito. Você disse que eu estava levando tudo a sério demais e tudo que você queria era me conhecer. Me conheceu. Eu não tive medo de te dizer os meus defeitos e falar sobre o quanto fui idiota nas minhas relações anteriores. Você disse que estava em um outro momento e mesmo que gostasse de mim não era o suficiente pra ficar. Foi difícil te entender.

Você disse que precisava conversar e começou com um: ''Eu até gosto de você, mas o problema é comigo''. Me falou que a gente já estava indo longe demais e que não queria me enganar, não queria que eu tivesse tantas expectativas. ''É melhor pararmos por aqui'' foi a resposta que você me deu quando perguntei o que tinha acontecido. Você me deu mil e uma desculpas pra não ser minha. Disse que não queria se envolver só depois que eu já estava envolvido. Eu te disse que a gente poderia tentar, não custava tentar. A gente já se dava tão bem, parecia tudo tão certo. Te pedi pra conversar, implorei pra te ver. Mas a última conversa que tivemos foi por mensagem, terminou com um: ''fica bem''. E doeu, pra caralho.

Fiquei péssimo, mas passou. Te superei e aceitei que se não foi com você, um dia, será com alguém. Depois do dia que você se foi, a tua ausência me ensinou um bocado. Eu achava que os amores verdadeiros eram apenas aqueles que permaneciam ao nosso lado, mas me dei conta que os amores sinceros também são aqueles que permanecem dentro da gente mesmo depois de terem ido. Que existem pessoas que entram na nossa vida e bagunçam tudo ao irem embora, e existem pessoas que passam por nós, que nos ensinam muito mais do que achávamos saber, que somam e nos apresentam novas ideias, manias e lugares pra vida. Queria que soubesse que você faz parte da segunda fatia. É fácil sumir sem prestar socorro, aconselhar que o outro fique bem quando na verdade, você sabe que não vai ficar.

Difícil é olhar nos olhos. De todas as lições que aprendi com tudo isso, a última e não menos importante, é que eu jamais seria capaz de dar adeus pra alguém sem nem olhar nos olhos dela.

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Escrito por Iandê Albuquerque

Tenho 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes de romance, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Dramático, intenso e extremamente intuitivo. Leio horóscopo, sorrisos e corações partidos. Escrevo sobre casos, por acasos e acasos do amor, sobre boas lembranças e péssimas escolhas.

Eu quero viver uma história de amor com você, morena.

Nós nos conhecemos em um desses acasos bonitos quando duas vidas se esbarram e dois corações se gostam. Eu quis te desvendar aos poucos como quem lê um livro devagar porque não quer acabar cedo demais. Quis conhecer cada curva do seu corpo, cada pintinha escondida. Quis saber quais palavras sujas você diria no meu ouvido enquanto descobre cada pedacinho meu corpo.

Eu quero principalmente saber quais são os seus defeitos e ver o quão bonitinha você deve ser com ciúme. Quero te ver brava com todas as injustiças desse mundo cruel e fazer carinho atrás da sua orelha quando a única coisa que você quer é um pouco de amor antes de dormir.

Não quero joguinhos, amor. Quero um sim ou um não. Quero sexo a noite inteira, mãos dadas e bilhetinhos apaixonados. E eu quero com você. Quero amar você. Quero que esteja disposta a enfrentar os dias ruins comigo.

Quero que sinta minha falta e fique louca pra me encontrar de novo. Quero ver seu sorriso se iluminar quando me ver e perceber como minha risada é mais gostosa e sincera quanto é você quem me faz rir.

Também quero tardes com nossos amigos, nossas famílias e brincar com o seu cachorro. Quero dias só nossos, vendo o por do sol sentadas na grama fresca e sentindo que o tempo não existe mais. Seremos só nós duas dizendo “eu te amo” com os olhos e com a boca, principalmente com a boca.

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Escrito por Tatiane Argenta

19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.