AUTOR: Tatiane Argenta

Nossa quase historia

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Você nunca vai conhecer a calmaria que eu sei ser por trás de todo meu caos aparente. Você nunca vai saber o quão forte eu sou apesar da versão frágil que muitos veem. Eu jamais saberei como seus olhos são quando você chora. Não sou a garota que vai almoçar com a sua mãe e ver suas fotos de criança, me perguntando o quanto você passou todos esses anos para se tornar quem é agora.

Nossas bocas não compartilharão segredos e planos. Vamos nos lembrar um do outro apenas superficialmente. Achamos que sabíamos o suficiente para sorrir e dizer que foi melhor assim. Não daria certo mesmo se tivéssemos tentado. Não era para ser. Estamos de consciência limpa.

Mas é sempre tão triste uma historia pela metade. Fomos estúpidos demais ou apenas corajosos?

Não há mesmo o que fazer quando se esfria antes de ser amor, né? Não há lembranças para se resgatar o que fomos um dia se nem chegamos a ser realmente alguma coisa. Levou um certo tempo para que eu percebesse que nunca seremos uma historia completa. Somos só uma quase historia de amor perdida no meio de tantas outras que também não aconteceram.

E tudo bem. Mas eu não podia me permitir continuar essa caminhada levando comigo apenas metade de você. Por isso tô levando comigo apenas alguns ensinamentos na bagagem e o seu cheio terrivelmente bom. Seu olhar perigosamente misterioso. E espero que tenha tirado qualquer lição disso aqui também.

Sempre achei que precisaria de uma coragem absurda para tomar a decisão de partir sem nunca saber o que poderíamos ter sido juntos. Poderíamos ter sido incríveis ou desastrosos. E algo em você me causava a sensação de estar deixando um bocado de coisas maravilhosas para trás. Como se ao fechar a porta eu estivesse saindo de mãos vazias quando ainda havia algo valioso ali dentro. Mas você escondia seu melhor em algum lugar secreto que eu só veria caso resolvesse me mostrar.

Me pergunto o que você acharia sabendo que eu finalmente desisti de conhecer esse seu lado. De qualquer forma quando a gente parte algumas coisas inevitavelmente ficam pela metade. Mal resolvidas. Pelo caminho. Ficam as perguntas de tudo o que poderia ter sido feito mas não foi. Fica um pedacinho nosso com o outro.

Escrito por Tatiane Argenta

19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Não desiste de mim

Quero poder mergulhar nesse amor sem medo de você resolver só molhar os pés. Sou vendaval e o morno me entedia. Meu negocio é ferver. É queimar e até doer. É carne, osso, o que sangra e não tem receio de pedir perdão. Gosto de quem me joga no sofá e brinca distraído com os meus dedos.

Eu vou saber ser calmaria, amor. Eu vou saber andar devagarzinho quando precisar e te dar espaço para arrumar as coisas de dentro. Mas alguma hora eu vou correr e vou precisar que você venha comigo e não deixe eu me perder. Se por acaso eu quiser fugir pega minha mão e me diz o quão tola tenho sido, desembaça minha vista e me faz ver que todas as dores do passado não importam mais.

Tic Tac, não me atrase. Tic Tac, não se atrase. E vê se não desiste de mim. Não me descarta feito um papelzinho de bala voando pela sua janela do carro. Não me deixa olhar pra trás e já ter te perdido de vista, não pensa que é tarde demais para nós. Se me achar confusa demais me descomplica, me tranquiliza.

Não vou precisar de muito. Você escolher ficar já vai ser a maior prova de que isso é real. Olha nos meus olhos e enxerga a verdade quando minha boca quiser gritar.

Eventualmente eu vou errar, não saber como prosseguir ou só vou me deitar no seu peito aonde palavras não são necessárias. E vou precisar que você respire fundo, me desculpe, caminhe comigo, me aqueça.

Quando meu corpo e minha mente se cansarem, quando nossa energia se esgotar eu vou te fazer cócegas e reacender tudo. Eu te acalmarei também, te levarei para um recomeço com outros “nós”. Mais maduros e perdidamente apaixonados. Te conduzirei com passos leves e corações firmes.

E se ainda sim essa bagunça que eu sou for demais para você, tudo bem. É um risco que aceito correr e uma luta que no fim das contas vale a pena.

Escrito por Tatiane Argenta

19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Eu me preenchi dessa vez

Não sei a data exata de quando terminamos. Pode ter sido muito antes da separação oficial ou muito depois, quando seus olhos já não buscavam os meus. E tua boca já não gritava meu nome enquanto você dormia.

Suponho que eu deveria me lembrar mais. Me lembrar qual roupa você usava e o nome da música que ouvíamos juntos no metro. Eu estava disperso, pensando em mil coisas enquanto você provavelmente criava mentalmente o seu discurso bonitinho de “adeus”.

E sabe de uma coisa? Não vou mentir, doeu. Doeu quando te vi largando tudo e indo embora. Doeu não te ver lutar e não poder fazer nada sozinho. Você disse algumas palavras ridiculamente ensaiadas que nem pareciam suas, embora por um segundo até parecesse amor.

Mas acho que amor não deveria me fazer querer arrancar o coração do peito. E eu só quis que isso sumisse. Meu deus como eu quis que a dor passasse. Não sumiu e ainda faz questão de durar semanas inteiras. Cada segundo delas. Cada manhã. Cada madrugada. Até que eu comecei a acordar melhor e já conseguia dormir sem sonhar com você. Sem desejar seu corpo junto ao meu. Sem desejar seus olhos me olhando daquele jeito seu.

Demorou, mas fiquei bem de novo. Pronto para outra. E percebi que morrer de amor faz a gente renascer mais forte, um tanto mais sábio e mais corajoso também.

Confesso que passei um tempo com medo. Não sabia se aguentaria sentir de novo a sensação do meu peito sendo aberto e preenchido para ser estupidamente esmagado depois. Sem dó nenhuma. Não estava pronto para todas as noites de insonia e agonia de esperar a mensagem que nunca chega. Você tinha acabado comigo. Me destruído.

Acabei dando a volta por cima sozinho e me consertando aos poucos. Com muito esforço. Agora sei o quanto meu amor por mim mesmo é maior do que jamais foi quando estávamos juntos. Eu me preenchi dessa vez. Eu te amei mais do que a mim mesmo por muito tempo e em lugar nenhum do mundo isso deveria ser chamado de amor.

Escrito por Tatiane Argenta

19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Deixa o amor acontecer para você

O amor pode colocar um sentido nas coisas, mesmo quando ele próprio não faz o menor sentido na maioria das vezes. E eu sei que vai doer se o dia passar e ele(a) não te ligar. Sei o quanto vai machucar se você descobrir que ele(a) não é o que parecia. Vai se decepcionar se você perceber que viu coisas demais e deixou seu coração te dominar, inventando o amor que você tanto queria. E vai se sentir tola por isso.

Mas eu também sei que se isso acontecer você vai ter amor próprio suficiente dentro de ti para erguer a cabeça e continuar como já fez antes. Não vai ser o fim do mundo, menina. E você vai aprender alguma coisa também.

E nós sabemos que não há nada que se compare aos suspiros que alguém pode te fazer dar. Nada se compara a ter sua bochecha doendo de tanto sorrir e o seu corpo inteiro eletrizado. Aquele friozinho na barriga a semana inteira, a ansiedade de se ver, a paz na hora de dormir.

Deixa o amor acontecer. Vale a pena.

O que não vale a pena é perder seu tempo com amores fracassados, com quem não tem nada a oferecer. O que não vale a pena é deixar de acreditar que um dia vai dar certo. E sim, é difícil manter a esperança depois de tanta gente errada entrando e saindo da sua vida sem mais nem menos, depois de tantas chances e investidas em vão.

Mas é só você aprender a se cuidar, menina. A não dar oportunidades para quem você sabe que não merece, saber a hora de ir e entender que achar a pessoa certa leva tempo e uns machucados no caminho, porém se fechar é muito pior. Se fechar para algo tão bonito, como sentir seu coração pulsar mais forte, é infinitamente pior.

Escrito por Tatiane Argenta

19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Eu quero você pra mim

Só hoje pensei em você milhões de vezes. Repassei nossos momentos e te memorizei. Fiquei com vontade de ouvir sua voz de sono, sua risada gostosa. Deixei um sorriso escapar dos meus lábios e não disfarço, eu gosto de você.

Tentei não pensar em como queria te beijar, fazer carinho na sua bochecha, misturar nossas pernas e gemidos de baixo do meu cobertor. Mas não dá.

Quanto mais te vejo mais te desejo perto. Mais quero descobrir seus medos, sonhos, loucuras, suas músicas favoritas, como foi seu dia e se pensou em mim também. Descobrir o quanto somos completamente diferentes e que isso não importa.

Queria te contar baixinho, só pra você saber, que não consegui te tirar da minha cabeça a semana inteira. Falar o quanto estou insaciada, viciada no teu cheio, no teu cabelo preto caindo graciosamente sobre seus ombros, nos nossos dedos trêmulos dançando tímidos quando estamos juntas.

Sinto vontade de te chamar para dormir aqui, mas acabar não dormindo. Vontade de te olhar a noite inteira, ligar suas pintinhas com a ponta dos meus dedos e morrer de amor.

Te quero só pra mim, mesmo sabendo que ninguém é de ninguém. Mesmo sabendo que quebrei as regras e acabei sendo tão sua.

Ah, se perde em mim, em nós. Lambuza minha boca com o seu batom vermelho, depois desce para o resto do meu corpo. Me dá a mão e se acha comigo. Eu quero tudo com você. Vem cá, nos meus braços tem todo amor do mundo e é para você que eu quero dar.

Escrito por Tatiane Argenta

19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.