AUTOR: Grazielle Vieira

Barco desgovernado

Eu quis tanto que você ficasse...
Orei aos deuses de todas as religiões,
Pedi luz a todas as galáxias,
Mas não havia nada que eu pudesse fazer enquanto você saía por aí como um barco desgovernado no meio da tempestade.

Me esforcei, fiz tudo o que eu podia e lutei contra quem se colocou em nosso caminho,
Fiquei com você quando todos resolveram se levantar e ir embora,
Desconstruí minhas crenças para acreditar em você quando ninguém entendia suas razões,
Caminhei ao seu lado e segurei a sua mão, quando todos correram para chegar à sua frente.

Várias foram as vezes que esqueci de mim só para lembrar de você,
Investi em nós o que nem eu acreditei ser possível, pensando que você era o cara.
Aquele que faria tudo o que eu fiz e ainda mais, caso precisasse, porque sabia que era com quem eu mais contava no mundo.
Mas aí eu descobri que você não era esse cara e não importaria o que eu fizesse, você nunca seria.

Eu só fui o porto em que seu barco ancorou quando precisava de estabilidade.
Fui aquela que devolveu a você toda a confiança possível e impossível.
Às vezes, até penso que construí um monstro em você,
O monstro do barco desgovernado, aquele que arrasou e arrastou tudo ao passar pela minha vida.

Já me culpei por você ter ido embora, mas a verdade é que, lá no fundo, eu sei que foi melhor assim.
E eu não me arrependo, nem por um segundo, tudo o que vivemos, tudo o que eu doei, ou de todos os sentimentos que me acompanharam, mesmo que sozinha.
Eu senti, foi intenso, foi único,
Não foi recíproco,
Mas foi real.

Eu te amei e me doei por completo, porque essa é quem eu sou, eu mergulho de cabeça mesmo.
Posso até quebrar a cara ao mergulhar em águas rasas, mas me arrependeria mais se não mergulhasse e perdesse a oportunidade de ver peixinhos coloridos do outro lado.
E, novamente, eu não me arrependo.

Não me arrependo nem mesmo quando me lembro da sua covardia,
Quando você mandou aquela mensagem terminando tudo,
Dizendo que precisava viver a vida, conhecer coisas novas,
Que estava pronto para desancorar o seu barco e partir em rumo ao desconhecido.

Na verdade, eu ainda torço por você.
Torço para que se lembre de como o mar é vasto e como as águas podem ser traiçoeiras,
Para que se recorde de como é ter estabilidade e saiba guiar o seu barco para que ele não vire,
Porque, meu bem, quando você precisar ancorar novamente, esse porto estará fechado para reformas e não haverá concessões nem à barcos que já fizeram paradas por aqui.

Escrito por Grazielle Vieira

Mineira, 23 anos, extremamente pisciana, advogada por graduação, blogueira e escritora no Vigor Frágil, colunista nos blogs Isabela FreitasEscritos Meus e Me Apaixonei.
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Carta ao ex-namorado

Você jurou que me amava, assim como todos os outros.
Mas o problema foi que, dessa vez, eu acreditei.
Acreditei em nós, acreditei que poderíamos ser muito grandes e que nosso amor nos ajudaria a superar qualquer desavença.

Eu me sentia realmente amada,
Seu olhar e sorriso me derretiam e eu acreditava ter encontrado o amor da minha vida.
Ao acordar pela manhã, juntos, você dizia que eu era a mulher mais linda do mundo.
Até disse que amava minhas pintinhas e o jeito como eu ficava sem maquiagem, que preferia assim, algo bem natural.

Não sei o que aconteceu, não sei como eu permiti que as coisas chegassem tão longe.
Talvez porque, dessa vez, eu senti que alguém - não alguém, mas você - poderia me amar e ficar comigo para além dos meus inúmeros problemas e defeitos.
Defeitos que eu expus pra você, problemas que eu passei horas detalhando e traumas que sempre te contei com lágrimas nos olhos.
Eu desnudei minha alma um pouco obscura e tensa e você disse que não se importava, pois o seu amor era muito maior que tudo isso. Afinal, nós tivemos a sorte de nos encontrar nesse mundo tão vasto.
E você realmente esteve lá comigo por um tempo, mas, talvez, tudo tenha sido demais para você suportar,
Talvez eu tenha sido demais para você, nessa sua vida tão agitada, tão cheia de amigos e bares.

Mas era muito tarde, sabe?
A sua covardia chegou tarde,
A sua desistência veio quando você já estava em minha pele e seu perfume me sufocava em cada esquina.

Você disse que me amava, mas foi embora mudo, sem uma palavra a acrescentar,
Você disse que me amava, mas não pensou, nem por um segundo, o quanto estaria me destruindo,
Você disse que me amava e que, em hipótese alguma iria embora,
Você disse que meus defeitos não importavam e que me ajudaria a curar minhas dores e medos,
Você disse que sempre estaria lá por mim.

Mas sabe o que eu ouvi?
Ouvi o seu silêncio retumbando em meus ouvidos,
Ouvi o celular que não tocava mais,
Ouvi as mensagens que não chegavam,
Ouvi o seu silêncio gritando dentro de mim.

Você não acha que foi covarde demais?
Eu acreditei em você, eu coloquei quase todo o meu amor em nós.

A minha sorte foi ter separado em um potinho o meu amor próprio, que foi o que me impediu de ir rastejando até você,
Foi ele quem me fortaleceu e, por um tempo, me endureceu, para que eu conseguisse juntar os cacos do meu coração e toda a bagunça que você fez em mim, ao meu redor, na minha vida, na minha história,
E que jamais me fará desistir do amor, mesmo com pessoas como você no mundo.

Eu poderia dizer que você foi só mais um, como todos os outros,
Mas a verdade é que você foi pior,
Mais cruel.

Nenhum deles fez promessas que não cumpririam,
E eu pedi a você que também não fizesse,
Porque eu odeio promessas.

Mas acreditei em você,
E você foi só mais um, como os outros,

Escrito por Grazielle Vieira

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SE A TEMPESTADE NÃO PASSAR E O ARCO-ÍRIS NÃO CHEGAR, DANCE NA CHUVA

Sempre ouvi dizer por aí:

- Primeiro a chuva, depois o arco-íris!

No início, quando os primeiros pingos caem, saímos no tempo e brincamos em poças de água, tomando o tão belo banho de chuva dos filmes.
Mas já no dia seguinte, quando a chuva não cessa, pegamos nossos guarda-chuvas, galochas e casacos e enfrentamos, com toda coragem do mundo, a chuva que se torna cada vez mais forte.
Os dias passam e parece que o sol não nos conhece mais.
Não dá o ar de sua graça.
Nos força a enfrentar a tempestade, estando preparados ou não.

Então descobrimos que nosso equipamento inicial se torna frágil para suportar tantos dias de tempo fechado e chuva,
Que além das águas que caem do céu, o mar se agita e começa a invadir nossas vidas, não havendo mais calmaria.
Não havendo mais nada de lindo e poético em tomar banho de chuva, simplesmente porque ela pode nos arrastar, junto com o mar, para cada vez mais longe.

- Onde está o arco-íris?
Nos questionamos, incessantemente, após meses de dias escuros e alagamentos em nossas vidas, nos impedindo de viver tantas coisas, pois paramos nossas vidas, esperando que a tempestade vá embora para que possamos voltar a viver e a sonhar novos sonhos.

Mas sabe de uma coisa?
Podemos passar meses e anos com dias chuvosos e desacreditar do arco-íris, vendo-o só como uma utopia distante.
Então precisamos aprender a viver sem esperar que algo aconteça.
Na verdade, precisamos voltar a dançar na chuva, bem como fazemos nos primeiros pingos,
Enfrentando os riscos de sermos levados,
Lavados,
Arrastados para algo melhor.

Talvez o arco-íris não apareça porque ele não precisa aparecer.

Nós é que precisamos aprender a ver a graça que é dançar na chuva.

Escrito por Grazielle Vieira

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EU QUERO FICAR, MAS NÃO COM VOCÊ

Eu quis ficar.
Juro que quis.
Queria que fôssemos capazes de caminhar de mãos dadas novamente.
Lancei mão de tudo que eu conhecia para que você se juntasse a mim em nossa caminhada, mas você não me deu motivos, não se entregou.
Não me deu espaço para estar junto a você.
Na verdade, parecia que eu não existia mais na sua vida e só eu não havia percebido ainda.

Então, quando eu bati a porta do carro enquanto você gritava que eu estava insana e estava apenas dizendo barbaridades, quando tudo que eu fiz foi abrir meu coração e te mostrar a realidade do nosso relacionamento.
Logo em seguida eu soube que você saiu falando mal de mim por aí e me amaldiçoando aos quatro ventos.

Apesar de ter ouvido e sentido cada palavra como uma facada, eu continuei andando, mesmo quando o seu desprezo fazia sangrar todos os pedaços de mim.

Soube, um tempo depois, que você sentiu minha falta, mas não me ligou.
Não me procurou para olhar nos meus olhos e reconhecer que você estava errado.
Nem, ao menos, disse que sentia muito.
Talvez se você tivesse admitido que, aos poucos, o que era bom foi ficando para trás, que nos perdemos porque cada pequena atitude sua demonstrava que você preferia qualquer outra coisa à ficar comigo e assumido os seus erros, eu teria te escutado.
Mas nada disso aconteceu,
Foi muito pior, você continuou esbravejando e me culpando, então eu me virei, ainda com lágrimas nos olhos e sangue nas costas, de cada facada em forma de palavras, e continuei caminhando.

Quando, após um longo período de tempo, sua voz não conseguia mais me alcançar, você se deu conta.
Começou a correr, mandar mensagens, ligar e encontrar maneiras de esbarrar no meu caminho e, por um bom tempo, isso foi tudo o que eu quis.
Mas já era tarde demais.

A sua voz era a de um estranho.
O seu número era desconhecido.
Eu não conseguia mais identificar ambos, então apenas saía dançando e caminhando por aí, as vezes parando em alguns lugares, mas não me demorando neles.
Apenas dançando, cantando, caminhando e seguindo o ritmo que a vida depois de você me deu.

Até que um dia, alguém conseguiu seguir meus passos e dançar comigo, alterando os ritmos.
Músicas pop dançantes, um forró gostoso e até mesmo músicas lentas, me fazendo desacelerar aos poucos.
Ele me pediu para ficar e disse não se importar se estaríamos dançando, sentados no sofá de pijama ou correndo por aí.
Foi ele quem me ajudou a construir morada para ficar.
Mas, de repente, você surgiu, me alcançando mais de perto, me obrigando a ouvi-lo, mas já não adiantava mais.

Quando eu quis ficar, você não quis.
Quando eu queria partir mundo afora, ele me segurou.
Quando você quis ficar, ele me puxou mais apertado, para que eu não escorregasse por entre seus dedos, pois esse era seu maior medo, ao contrário de você, que nunca se importou se passaria a noite de sábado comigo ou com os caras da cerveja.

E agora eu quero ficar, mas não com você!

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Ela se perdeu

Ela não se lembra de como aconteceu.
O momento exato em que se perdeu e não conseguiu se encontrar mais.

Seus amigos começaram a enviar mensagens:
"Você sumiu"
"Hey, garota, por onde você anda?"
"Vamos sair? Há tempos não te vejo".
E mesmo assim, nenhuma delas a despertou para o que estava acontecendo.

Ela havia se perdido nele.
Isso era óbvio para todos nós.

Não era mais a garota animada que sempre aceitava um convite para sair e mostrar seu sorriso e sua simpatia por aí, a cada parada.
Ela o fez grandioso demais e não existia mais espaço para outras pessoas.
Mas, ainda assim, ela acreditava estar vivendo a sua vida e sendo feliz com as pessoas que ela amava - ele.

Como ela estava errada!
Ele a sufocava, a cercava e não deixava ninguém chegar perto.
Se saíam com os amigos dela, ele ficava de cara fechada e acabava com a noite que ela havia planejado há tempos.
Se saíam com os amigos dele, eram flores e sorrisos para ele,
O que preenchia seu coração momentaneamente, mas ela ainda não conseguia enxergar.

A mãe dela percebeu e comentou:
- Você não sorri mais, filha. - lamentou a mãe.
- Mãe, você está louca, eu sorrio sempre. - ela soou indignada e saiu, batendo a porta do quarto.
Então ela percebeu.

Não se lembrava de quando foi a última vez que sorriu.
Começou a pensar que a vida antes dele era mais alegre.
Ela vivia sorrindo por ruas, festas, casas de amigos e bares afora,
Mas, agora, pouco sorria, e quando acontecia, era quando ele não estava por perto.

Ela sabia que não era a mesma mais, apesar de ter as mesmas sardas e altura, o mesmo peso e gosto para bandas antigas, o velho cabelo bagunçado e amar mousse de maracujá.
Havia mudado suas atitudes e deixado de lado todas as pessoas que estiveram lá por ela uma vida toda, por uma que conhecia havia poucos meses.
Não que isso fosse ruim, porque não era.
O ruim era não saber conciliar, não saber lutar por ser quem ela sempre foi, era deixá-lo tomar conta da vida dela de maneira tão absurda.

Ela precisava voltar, precisava responder todas aquelas mensagens dos amigos, precisava pedir desculpas à mãe e todos aqueles que deixara de lado por ele.
Precisa, sobre tudo, conversar com ele.

- Eu não vou mudar! - ele gritou - Eu sou assim!
- É uma pena... - ela se lamentou - Eu vou mudar, porque eu não sou assim.

No fim de tudo, ela viu que aquele relacionamento tinha valido a pena.
E essa era quem ela era: a pessoa que via um lado positivo em tudo.
Ele a ensinou que o amor de verdade transforma o casal, os faz aprender a conviver com todos os lados, amigos, família e gostos do outro.

O amor não anula, não faz perder.
Ele soma, te faz se encontrar e ser a melhor versão de si mesmo.

Essa era ela agora:
A melhor que podia ser.
Para todos.

Escrito por Grazielle Vieira

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