A ESPERA AGORA É SUA

Eu queria entender de verdade o que é que se passa dentro da sua cabeça. Você me puxa e me afasta apenas para me puxar outra vez. Um eterno ioiô. Uma brincadeira sem graça que me fez perder o ar e o controle.

Quer dizer, eu sempre soube que você era um cara fechado, reservado, complicado. Mas isso não me impediu de me apaixonar por você. Eu sempre soube os riscos de cor e salteado, mas eu nem sequer ligava para eles. Mesmo sabendo que as palavras não sairiam de você tão facilmente, eu lutava para escutá-las. Lutava para ver um pouquinho que fosse de encanto nas suas atitudes, de amor, de paixão.

As noites aqui em casa me mostravam isso. Seus toques, seus lábios nos meus, nossos olhares infinitos. Tudo que você deixava escapulir de você me parecia sincero o suficiente para me fazer pular de um penhasco por você. Enfiar meu corpo inteiro no fogo por você.

Cruzar o oceano por você.

Mas você cruzou sem mim. Cruel que só, foi embora prometendo ligar do avião e desde então, não deu notícias. Levou todos os nossos planos na sua mala e não deixou nada para mim, a não ser o adeus.

Eu tentei ver o romantismo nos seus atos, mas não vi. A saudade aqui é grande, mas nem ela conseguiu enfeitar o modo como você se foi. Nem o amor que eu sinto conseguiu mudar o fato de que você ferrou com tudo e foi embora de um modo teatral. Me deixando aqui como um simples espectador.

Pensei em te esperar voltar para casa, porque eu sei que você vai voltar. Mas acontece que a espera me enrola, me prende e me deixa completamente a mercê das suas vontades. Das suas promessas quebradas.

Eu não mereço ficar à deriva enquanto você navega por aí.

Você que entenda que quando se foi e escolheu derrubar tudo o que havíamos construído juntos, perdeu uma grande parte minha. Aquela que era oposta à sua. A parte que falava o que sentia sem pensar duas vezes, que se jogaria na frente de um trem para salvar sua pele. A parte que você vai ter que ralar muito para reconquistar.

Porque eu vou navegar. Não para achar o seu barco não, mas para achar à mim. O eu que você infelizmente enlouqueceu e colocou para correr.

Talvez a gente se encontre quando eu voltar, mas não prometo voltar tão cedo. Porque diferente de você, não faço promessas que eu sei que posso não cumprir. Minha palavra vale muito. Quem sabe, se um dia você vir à esbarrar em mim com tudo outra vez, você já não tenha aprendido isso, né?

Tomara, porque ah.. não sou eu que vou te ensinar não.

A espera agora é sua. Boa sorte!

Escrito por Deborah Sequeira

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males.
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