Carta da Leitora: Síndrome do Pânico

Conte Sua História

large-301

Eu escrevo esse texto porque sofro de Síndrome do pânico há 5 anos desde 2009. Eu tenho 27 anos, e tudo comecou aos 24. Num período de 2 anos, enterrei 6 parentes meus. Todos os avós que tinha, e 3 tios. Você tem noção do que é ver um álbum de família e literalmente constatar que METADE da sua família está morta? E a que sobrou é pouca… Meus pais, um irmão 10 anos mais velho que mora na China, e 2 tias que moram no interior de SP. Ah, tenho o meu marido também. Mas de sangue sobraram apenas 5 pessoas. 

É muito difícil, depois das mortes eu comecei (e apesar de toda a medicação que ainda tenho que tomar e a terapia que faço até hoje) a achar que eu ia morrer. Ou que meus 5 parentes que sobraram iam morrer também. Achava que qualquer um podia morrer em qualquer momento. Óbvio que logicamente isso é verdade, podemos mesmo morrer a qualquer momento. Mas pensar nisso 24 horas me consumiu por inteiro…

Daí eu parei de ir nos lugares. A primeira manifestação foi no cinema, quando jurei que ele ia pegar fogo e tive que sair correndo chorando, sem ar (na época arrastei meu marido - então namorado – que foi compreensivo e dizia nada estava acontecendo). Realmente nada estava acontecendo no mundo exterior. Mas dentro da minha cabeca era outra história.

Com isso eu parei de sair de casa dos meus pais (ainda não era casada – casei em 2013). Mais precisamente do meu antigo quarto. Meu marido (que era namorado) ia me visitar lá. Eu simplesmente não saia porque tinha PAVOR que se eu pisasse no mundo lá fora, tudo de ruim ia acontecer comigo. Fiquei 1 ANO E MEIO SEM SAIR DO QUARTO. Só consegui sair quando eu comecei a ir no psquiatra (que no início eu me recusava – porque a pessoa no início nunca se enxerga doente).

Junto com o pânico, veio a depressão e a compulsão alimentar. Eu era magra, e acabei engordando 60 quilos. Fui de 60 para 120. Hoje eu estou com 83, e se Deus quiser volto aos 60 novamente. Mas naquele momento a única coisa que parecia acalmar era comida. Era como se fosse o álcool para uma álcoolatra. Eu chegava a comer 10 fatias de pizza em menos de uma hora! E depois sentia vontade vomitar… Estava prestes a virar bulímica. Foi quando o psiquiatra entrou na minha vida.

Com a medicação apropriada e terapia, aos poucos eu voltei ao mundo normal. Aos poucos fui perdendo  o peso que ganhei. Voltei a sair de casa. Voltei a trabalhar. Até o ponto máximo da minha vida, que foi meu casamento em 10 de janeiro de 2013.

Ainda tenho sequelas, sabe, não estou de ''alta''. Mas sou o mais próximo que você pode chamar de uma pessoa normal, que leva uma vida normal. Mas devo ressaltar que meu psiquiatra não gosta desse termo, "normal". Eu nunca fui louca. Eu estava apenas doente. E precisava de tratamento. 

Então resolvi mandar esse texto pro seu site, Isabela, porque muitos meninos e meninas tem sintomas de depressão, TOC, entre outras doenças, e não procuram ajuda. Tem vergonha, ficam sofrendo sozinhos. Então aqui vai o meu recado: não sofram sozinhos. Tudo tem uma solução. Passa. Você precisa procurar ajuda, admitir que precisa de ajuda. Se inspirem na minha história. Vai dar certo. Viu?

 

Texto enviado pela Raquel Link. Aqui o link do blog dela pra quem se interessar entrar em contato. Adorei a sua coragem, e inspiração. Continue forte. Estamos todos com você.

Isabela Freitas

Isabela Freitas é escritora, blogueira, e exagerada. Louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua. Prega o desapego às coisas que não lhe fazem bem, e acredita que o otimismo e palavras bonitas podem mudar vidas. E aí, pronto para mudar a sua?

Banheiro Feminino: Defeitos e Autoestima

Banheiro Feminino

Vamos falar sobre as coisas que nos incomodam? Defeitinhos físicos e na personalidade. Hoje é dia de abrir o coração!

banheiro-feminino

Conheça as participantes:

E2QU9jK-Isabela Freitas Se você tá aqui no meu blog e ainda não sabe que eu gosto do número 7, amores de arrancar o coração, bichinhos de rua e músicas fofinhas, tá no lugar errado. Ah, eu adoro signos também. Sagitariana, teimosa, sincera, sonhadora, dramática e um pouco exagerada. Mas só um pouquinho. 23 anos, mora em Juiz de Fora, mas vive mesmo no mundo da Lua. Siga no twitter/Assine no Facebook/Siga no Instagram isabelaafreitas

 

 

10337424_488365077930099_918699550_oRaphaela Soares mas em hipótese nenhuma me chame de Raphaela, apenas Rapha. Tenho 16 anos com cabeça de 50 e animação de 87. Fã do site tumblr, Instagram e da Lorde. Odeio chorar com todas as forças. Tenho a personalidade BEM forte e às vezes sou grossa sem perceber. Pretendo cursar Direito na faculdade. Em grande parte do tempo fico por conta de tirar fotos hipsters para o meu instagram.Siga no Twitter/Instagram/Tumblr/Assine no Facebook (Visconde do Rio Branco – MG)

 

 

10174895_666077320139246_8001144695788964363_nFrancine Artigas 18 anos, gaúcha, ariana, sincera, impulsiva e estudante de Jornalismo. Personalidade é uma das coisas que mais valorizo nas pessoas. Siga no twitter/Assine no Facebook (Bagé-RS)/ Siga no instagram francineartigas

 

 

 

10726477_866428526713677_2067618872_nRafa Gabardo Ela voltou. Curitibana, 24 anos, quase uma jornalista. Leonina das fortes, louca e romântica. Apaixonada por cachorros, moda, música e seriados. Meu primeiro amor foi Seth Cohen e ainda não encontrei o último. Siga no twitter/e no Instagram: rafa_gabardo.

  

 

 

1520710_630954246963454_1424351194_nAmanda Schmidt 20 anos, atriz, confusa, ama cães, crianças, internet, fotografia, vírgulas, se apaixonar, não estar apaixonada, já falei confusa? To achando isso mais difícil que escrever perfil no Orkut. Carioca morando em NY. Siga no Twitter/Instagram/Assine no Facebook/Curta sua Fanpage

 
 
 
 
 

natNat Vanin Psicóloga Hospitalar, 25 anos, apaixonada pela minha profissão. Viciada em livros,  séries, maquiagens e viagens. Personalidade forte, drama queen e sincera demais. Curiosa em tudo, principalmente em conhecer mais as pessoas, afinal não escolhi essa profissão a toa hehe. Siga no Twitter/Instagram, e acesse meu blog! (Ribeirão Preto - SP)

 

 

10438824_10152480175584637_481885376_nMariana Vasconcellos Jornalista mineira, tem 27 anos, viciada em MPB, dipironas e macarrão instantâneo. Pensa escrevendo, discute escrevendo, se desculpa escrevendo, e acha que pode mudar o mundo assim. Curte suas horas de folga lendo Nicholas Sparks em uma cadeira sentada, ou divagando em seu bloge no seu outro blog Sem Cao. Siga no twitter/Instagram. (Belo Horizonte – MG)

 
 
 
large-20
 

1- Que defeito seu fisicamente você mudaria?
 

E2QU9jK-Isabela Freitas Eu mudaria: 1) minhas pernas grossas que por mais que eu malhe, emagreça, faça macumba, reza braba, elas continuam grossas. 2) minha sobrancelha falha que eu pretendo mudar em breve fazendo uma dermopigmentação, porque sinceramente, eu  não mereço viver assim 3) minha bunda que é bem grande, e que eu vou lutar muito pra perdê-la, porque não é possível que ela vai continuar arrebitada se eu estiver pesando 30 kg. 4) to brincando, eu não quero pesar 30kg. 5) mas minha bunda tem que diminuir um pouco. 

 

10337424_488365077930099_918699550_oRaphaela Soares Minha gordice claaaaro. Já tenho alguns problemas de saúde que me fazem engordar, mas não é apenas por isso que sou gordinha. 

 

 

 

 

10174895_666077320139246_8001144695788964363_nFrancine Artigas Mudaria muita coisa, se pudesse já pedia para nascer Marilyn Monroe mas como não posso nascer de novo me contento em mudar aos poucos coisas que não gosto em mim (minhas cicatrizes pq era uma pessima criança, aprontava e caia muitos tombos).

 

 

 

10726477_866428526713677_2067618872_nRafa Gabardo Nossa, por onde começo??? Hahahaha… meu nariz me incomoda um pouco, queria que ele fosse mais fino, menos batatinha. E Deus não tem muita noção de proporção, porque me deu muita bunda e pouco peito, queria equilibrar isso.

  

 

 

1520710_630954246963454_1424351194_nAmanda Schmidt Maldita pancinha de peixinho de vala. De uma vala beeeem abastecida, inclusive.

 
 
 
 
 
 
 

natNat Vanin Eu iria no Ivo Pitanguy (melhor cirurgião plástico do Brasil) e falaria: refaz TUDO! T-U-D-O! 

 

 

 

 

 

10438824_10152480175584637_481885376_nMariana Vasconcellos GENTE, eu tenho um defeito horrível de comer e engordar. Eu passei a vida falando pras amigas gordinhas “eu lanchei brigadeiro com leite ninho e coca-cola”, “eu almocei coxinha”, “eu comi miojo no café da manhã”, porque achava que o santo protetor da genética estaria sempre ao meu lado. Mas esse filho da mãe resolveu rir da minha cara!!! Pegou todo o carboidrato e sódio que eu consumi na minha vida inteira e colocou em forma de circunferência abdominal. Eu só queria uma barriga com gominhos, sabe? (e perder dois quilos também, como 93,7% da população mundial feminina).

 
large-296
 

 

2- E na sua personalidade, qual defeito mais te incomoda?

E2QU9jK-Isabela Freitas Eu amo ser sincera, mas sei que minha sinceridade incomoda muita gente. O que não quer dizer que eu queira mudar isso, porque olha, não quero. Então em termos de personalidade, posso dizer que me amo <3 Talvez só queria ser um pouco mais organizada… Mas de resto, estou feliz.

 

 

 

10337424_488365077930099_918699550_oRaphaela Soares Não tenho paciência nenhuma, com nada e me irrito muito fácil com as coisas. Se eu falo a mesma coisa duas vezes e a pessoa não ouviu eu fico puta e saio andando. 

 

 

 

 

10174895_666077320139246_8001144695788964363_nFrancine Artigas Impulsividade, sou ariana então a impulsividade faz parte da minha vida, eu sempre penso "Na proxima vez eu vou pensar mil vezes antes de agir, vou ficar calma" mas chega na hora eu esqueço completamente de manter a calma e quando percebo já matei mais um.

 

 

 

10726477_866428526713677_2067618872_nRafa Gabardo Olha, a maioria dos nossos defeitos incomodam os outros né? Mas dos vários que eu tenho o que mais me incomoda é a desorganização. Gente, não me acho na minha bagunça, perco tudo, esqueço tudo. Tenho muita inveja de quem consegue manter o quarto arrumado e as roupas dobradas no armário, me ensinem essa bruxaria. E quem consegue manter uma agenda então? Com horários certinhos e etc. Ah, não dá!

  

 

1520710_630954246963454_1424351194_nAmanda Schmidt Impulsividade. AHHHH! Nem ia falar esse mas quando vi já tinha falado.

 

 

 
 
 
 
 

natNat Vanin Me vê um whisk com adicional de 10 gotas de rivotril, por favor. Sou ansiosa, brava e estressada demais. Era pra falar só um? Mais 10 gotas. Mais whisk. Mais gelo. Obrigada.

 

 

 

 

10438824_10152480175584637_481885376_nMariana Vasconcellos Eu sou ansiosa demais, falo demais, brigo demais, mandona demais, chata demais, medrosa demais, amo demais, me preocupo demais. Tudo meu é maior, é muito, é exagerado, é intenso, é demais. Se eu pudesse, daria uma pausa, às vezes, nesse turbilhão, para ser normal. Mas não normal demais. 

 
 
large-298
 

3- Você é daquelas que está sempre insegura em relação a aparência, ou se sente bem em relação a isso?…

E2QU9jK-Isabela Freitas Ah, cara. Eu me amo muito! Pode ter dias em que a gente coloca uma roupa, se acha gorda. Coloca outra, se acha feia. Coloca outra, tem certeza que não é a roupa, e que SIM, você é gorda e feia. Passa a maquiagem, erra. Passa de novo, erra de novo. Se sente feia até com um reboco na cara. Mas no fim das contas isso é tudo bobeira da nossa cabeça, porque todas mulheres tem a sua beleza. E eu aprendi a gostar do que vejo no espelho sem me autocriticar tanto. O que não gosto, vou lá e mudo. Corro atrás. 

 

10337424_488365077930099_918699550_oRaphaela Soares Não gosto de mentiras: sempre estou insegura. Principalmente por conta do peso. Já fiz mil e uma loucuras, mas hoje tenho consciência de que nenhuma delas vão resolver. Claro que um dia na vida e outro na morte eu acordo "nossa to linda" aí depois do almoço "Cruz credo". 

 

 

 

10174895_666077320139246_8001144695788964363_nFrancine Artigas Então me ajude a segurar essa barra que é a minha inseguraça.. quando penso que não posso me colocar mais defeito "MEU DEUS, O QUE SÃO ESSES CABELOS BRANCOS?" Quando to de TPM prefiro nem chegar perto do espelho pq me acho a mulher mais feia desse planeta, sim. "Mas tu não pode ser insegura, tu tem tudo pra ser super confiante" AMIGA, CADA UM NO SEU QUA-DRA-DO ou melhor cada um com sua insegurança.

 

 

10726477_866428526713677_2067618872_nRafa Gabardo Não sei se posso chamar de insegurança. Eu sou muito vaidosa e como toda mulher sempre vejo um pneuzinho, uma manchinha, uma olheira. Sempre quero melhorar algo, mas eu gosto da minha aparência. A gente precisa se gostar, se aceitar e saber quais são nossos pontes fortes pra realçar e os fracos pra disfarçar.

  

 

 

1520710_630954246963454_1424351194_nAmanda Schmidt Depende da fase. Se eu engordar meu mundo tomba. Tenho tentado trabalhar isso, MAS NÃO TA FÁCIL COM ESSES DOCES POR AÍ.

 

 

 
 
 
 
 
 

natNat Vanin Sou daquelas que experimenta o closet inteiro e chora na frente do espelho: “Por quê Deus? Por quê? Não vou mais. Não tenho roupa.” Ai aperto uma banha, deito na cama chorando, me odiando. Respiro fundo. Passo uma maquiagem (erro 39 vezes no delineador, porque é assim, você não esta bem e tudo da errado), coloco um look preto e vou. Me odiando, mas vou. O que leva a nós, mulheres, nunca estarmos satisfeitas? Essa sociedade? Nós mesmas? A Gisele Bündchen esfregando na nossa cara a magreza, beleza, riqueza e família na capa da Vogue? Tudo isso. Prego aqui o movimento #bolsaterapia. Vamos tentar nos amar? Afinal, aquele dia que nos olhamos no espelho e pensamos: “hoje eu to gata”, é o dia que se ouve mais elogios, que conquistamos coisas que nem imaginávamos. 

 
 

10438824_10152480175584637_481885376_nMariana Vasconcellos Sem querer ser uma bitch convencida… eu nunca fui insegura. Tenho inseguranças, mas nenhuma em relação a aparência. Eu gosto do que vejo no espelho. Quer dizer, tem dias que eu acordo fazendo cosplay da Annabelle, mas aí tasco um BB crem, um blush, um rímel e vou ser feliz. Até porque, tenho 27 anos, já sei que nunca vou acordar igual a Taylor Swift e também não vou chorar por isso, porque aumenta as olheiras. Com o tempo a gente aprende a valorizar o que temos de melhor e a nos aceitar.

 
 
large-297
 

4- Na outra pessoa, qual defeito te chama mais atenção logo de cara? Pode ser na aparência ou personalidade.

E2QU9jK-Isabela Freitas Na aparência? Dentes amarelos. Por que? Eu sei lá. Mas se a pessoa tem dentes amarelos, ou dentes amarelos e tortos, isso já me irrita bastante. Poxa, eu gosto de sorrisos… <3 Na personalidade? Arrogância. Homem que se acha o bambambam porque é rico, ou porque é bonito. Há-há. Tenho é pena… Vai que é doença.

 

 

10337424_488365077930099_918699550_oRaphaela Soares Quando a pessoa é fútil e força a barra pra ser o que não é. Sabe aquelas meninas, ou meninos também, que são lindos, mas quando falam alguma coisa da vontade de pegar a varinha do Harry Potter e sumir com ela dali? Então. Tenho pânico de gente que só sabe falar de assunto mesquinho "comprei um carro novo" "peguei fulano" "fui no salão e me contaram que a Maria pegou o João". Some de perto de mim.

 

 

10174895_666077320139246_8001144695788964363_nFrancine Artigas Pessoa boazinha demais, queridinha demais, que vive sorrindo pra todo mundo. Quem muito mostra os dentes quando ninguém percebe, morde. Ser boa não é defeito, alias o mundo precisa de pessoas assim, o problema é ser uma falsa boazinha, aquela que fica sorrindo pra todo mundo, ajuda todo mundo, mas depois fala mal e na primeira oportunidade apunhala pelas costas.

 

 

 

10726477_866428526713677_2067618872_nRafa Gabardo Olha, na aparência acho que os dentes. Porque tem coisa que a gente nasce com aquilo e pronto né não tem o que fazer. Mas os dentes, nossa, reparo muito! Aquele dente amarelado e torto não rola, acho uó e um sorriso bem cuidado faz toda a diferença. E na personalidade pra mim o pior defeito que vejo de cara é homem forçado. Nossa como ODEIO gente que quer parecer o que não é, me irrita muito aquela pessoa que fala alto, espaçosa que fica me tocando, AFF PARA. E também não faz o íntimo.

  

 

1520710_630954246963454_1424351194_nAmanda Schmidt "Olha como eu sou assim, olha como minha personalidade é marcante, olha eu… OLHA PRA MIM, POR FAVOR!". Por não lembrar o nome desse defeito caracterizei assim.

 

 

 
 
 

natNat Vanin Educação. Sabe quando nossos avós dizem: “essa menina tem berço”? Não é berço de ouro, que significa dinheiro. E sim, berço de educação, aprendeu desde cedo se comportar em todos os lugares. Você descobre se a pessoa tem ou não, quando observa como ela vai tratar alguém que não vai lhe trazer benefício algum. 

 

 

 
 
 

10438824_10152480175584637_481885376_nMariana Vasconcellos É sério isso, pessoas com cabeça grande me deixam nervosa. Tipo, eu amo The Voice, mas passo o programa inteirinho tensa, com medo do Daniel cair da cabeça e rolar. Sempre acho que as pessoas com cabeção vão tombar pro lado, aí não sei muito como lidar com elas, se fico perto pra ajudar ou se corro pra não ser atingida. Preciso tratar isso com a minha terapeuta, quando eu tiver uma.

 
 
large-300
 

5- Você procura sempre a perfeiçao na outra pessoa, ou gosta mesmo dos imperfeitos?

E2QU9jK-Isabela Freitas Odeio homem que parece um bonequinho de tão perfeitinho. Tudo nos lugares, cabelo arrumadinho sem um fio pra cima, blusa passadinha, sorriso perfeito, tudo perfeito… AHHHHHHHHH! Dá vontade de bagunçar e falar "Ei, não força. Cadê sua olheira porque trabalhou até tarde da noite? A barba nascendo porque você esqueceu de tirar? A camisa amassada porque demos uns beijos no banco de trás do carro?''. A forma mais perfeita da perfeição é a imperfeição <3

 

 

10337424_488365077930099_918699550_oRaphaela Soares Se eu procurar a perfeição vou morrer sozinha porque né, não existe isso (exceto o Caio Castro né gente). Os "imperfeitos" me chamam muito a atenção, acho que são com eles que nós aprendemos mais a lidar com outras pessoas também "imperfeitas". 

 

 

 

10174895_666077320139246_8001144695788964363_n

Francine Artigas E existe alguém perfeito? Se existe no minimo essa pessoa já fugiu de mim. Não posso exigir que o outro tenha uma coisa que nem eu tenho. Vejo muita gente julgando os defeitos dos outros e essas mesmas pessoas se esquecem de dar uma olhadinha no espelho (só tá permitido julgar os defeitos das inimigas).

 

 

 

10726477_866428526713677_2067618872_nRafa Gabardo Se eu procurar a perfeição eu vou morrer sozinha né? Além disso a perfeição deve ser chata. Imagina “ai eu sou a perfeita e esse é meu namorado perfeito, a gente nunca briga, ele é romântico 24 horas por dia, a gente tá sempre de bom humor, não tem ciúme” ai, gente, não. Procure um relacionamento que seja bom para você e para o outro e esqueça o conto de fadas. Contos de fadas só dão certo nos livros.

  

 

1520710_630954246963454_1424351194_nAmanda Schmidt Quem dera. Procuro em mim. Aí bosta cu cloaca de galinha. Eu me cobro muito e consigo enxergar as caralhas de todos os meus defeitos, então acabo sempre entendendo todo mundo e aliviando pro lado delas e gostando de quem se assume com todos os meus. MAS NÃO ABUSA QUE EU ALIVIO MAS TO VENDO TUDO E SE FOR PORCO EU NÃO AGUENTO NÃO TO PRA GRACINHA HOJE CIDNEY COM C.

 

 
 
 

natNat Vanin Com quem eu vou me relacionar eu sempre procuro a perfeição, mas ela não existe e eu sempre tomo no c*. Espero demais das pessoas. Para amizade e pacientes, eu amo os imperfeitos. Observo cada detalhe, cada movimento. Quero entender o motivo da pessoa ser assim, e ir fundo nisso. Psicóloga que vive com a mente a mil analisando tudo e todos. Dia desses analisei o sonho da Bela, pelo Marcelinho. Haha mix de BM com chefinha <3

 
 
 

10438824_10152480175584637_481885376_nMariana Vasconcellos Gente perfeita não existe e, as que tentam ser, são um grandessíssimo porre. Mas gente com defeito demais também não rola. Digamos que eu procuro pessoas imperfeitas, mas com defeitos que minha personalidade daria conta de suportar, como mau humor em dias esporádicos, ficar chato quando bebe, um leve bafo ao acordar, uma roupa descombinada ou falta de organização no armário, ok. 

 
 
 
large-299
 

6- Conta alguma história desse tema ai pra gente

E2QU9jK-Isabela Freitas Uma vez conheci um garoto que era tipo o Ken da Barbie. Loiro, olhos claros, corpo todo sarado, pele dourada de sol, família boa, tipo tudo perfeito. No primeiro mês eu me achei, pensava "Nossa, como somos perfeitos! Combinamos tanto! Ai, ele não tem defeitos''. E não tinha mesmo. Ele ia me ver todos os dias de manhã no intervalo do meu colégio, TODOS OS DIAS, AS NOVE DA PORRA DA MANHÃ, LA ESTAVA ELE COM UM SORRISO DE KEN NO ROSTO. No início eu pensava, AWN FOFO, AWN LINDO, no final eu já estava, CARALHO ELE NAO VAI ERRAR NEM UMA VEZ? PERDER A HORA? FALAR UMA BESTEIRA? QUALQUER BESTEIRA? UM FIOZINHO DE CABELO ARREPIADO? Não. Então eu terminei. Porque não consigo conviver com tudo certinho demais, e sempre dou um jeito de bagunçar.

 

10337424_488365077930099_918699550_oRaphaela Soares Um dia desses uma menina que lê o BF (ela afirmou isso no comentário) foi no meu instagram me xingar porque eu era gorda e escrevia aqui. Minha primeira reação foi ir no instagram da menina que continha a seguinte biografia "troco elogios" "likes por likes" "follow por follow" "sigo de volta sem precisar avisar" e mano PUTA MERDA NÉ. Sou gorda sim e vou fazer o que? Ninguém é perfeito (salta Caio Castro e me dá um soco) e eu também não. Minha família tem a genética de obesidade e tenho meus problemas de saúde em que alguns remédios me fazem engordar. Existe alguma lei que proíbe pessoas gordas de escreverem em blogs, serem famosas, conquistar coisas na vida? Não. Uma das mulheres mais ricas do mundo, Oprah Winfrey, é gorda, negra e samba na cara de muita gente. E aí, quem ta dando a volta por cima?! Pois é. Eu simplesmente perguntei pra menina se ela estava louca ou foi abduzida por ETs. Sei dos meus defeitos, mas me sinto mal quando são jogados na minha cara. Pessoas ligam muito para aparência hoje em dia, por isso casamentos não duram nem 4/5 anos. Não bloqueei a menina e não fiz nada contra ela. Na hora fiquei triste, mas pensei "FOFA QUEM QUE TA ESCREVENDO NO BLOG DA ISA? É A GORDA NÉ? Então tchau" hahaha.

 

10174895_666077320139246_8001144695788964363_n

Francine Artigas Quando eu era mais nova era o patinho feio do colegio (o que não era bem um defeito, eu só era menos bonita que algumas meninas), e como nunca fui o tipo que fica quieta muitas pessoas me odiavam, então uma vez ganhei um concurso (top colegial) e aí chegaram vários meninos, um apontou pra mim e disse "Tá vendo essa aqui? Não sei como essa ridicula ganhou" fiquei arrasada, unica vez que fiquei quieta pra alguém, até pq não tinha pq discutir. O bom da vida é que o tempo passa, as pessoas mudam e o mundo gira não é mesmo? Ano passado ele pediu pra ficar comigo, não fiquei, joguei os cabelos e cantei "ISSO É PRA VC APRENDER A NUNCA MAIS ME ESNOBAR, BABA BABY, BABY BABA". A vingança é um prato que se come quente e ainda vem com sobremesa.

 

10726477_866428526713677_2067618872_nRafa Gabardo Sabe aquela história de mãe que quer achar o príncipe encantado pra filha? Então. Minha mãe quis me arranjar pro filho da amiga dela, médico. Homem bonito, gente boa, bem resolvido, inteligente, tudo aquilo que uma mulher quer pra ser pai dos filhos dela. Então ok mãe, to sem fazer nada mesmo vou fazer sua vontade. Comecei a falar com ele pelo Facebook e a gente marcou um jantar. Aí ele veio em casa me buscar, reservou mesa num lugar super legal aqui de Curitiba, chegou antes da hora marcada, ficou me esperando um pouquinho. Aí no carro ele já começou com a conversa “pois é, agora me formei, to bem na carreira, comprei meu apartamento, tenho um carro bom, só falta uma mulher perfeita”. Falou com essas palavras. Eu já pensei “nossa, coitado, ele acha que sou eu???????”. Aí no restaurante ele só falava dele, que a vida dele era maravilhosa, perfeita, que ele salvava vidas, que ele já tinha tudo planejado, que queria que os filhos estudassem em tal escola, queria que eles seguissem os passos dele. AAAAIIII EU QUERIA SAIR CORRENDO DAQUELE RESTAURANTE GENTE. Aí quando a gente chegou no portão da minha casa ele foi pra me beijar eu fui pra trás e falei “desculpa, mas não consigo acompanhar tua perfeição”. Aí ele ficou assustado e paralisado enquanto eu corria pra dentro da minha casa. Sim, quero algo imperfeito, louco, muito mais legal e divertido.

  

1520710_630954246963454_1424351194_nAmanda Schmidt Eu vomitava. Claro que eu poderia contar qualquer história engraçadinha mas acordei meio Stay Strong. Então lá vai. OBS: Eu vou me abrir aqui porque não me importo de me expor se for pra ajudar ou dar força a alguém. Stay Strong, sim, sem piadas e zoeiras. Isso é sério demais. Eu fui uma criança atleta feliz e que nem lembrava que tinha corpo até engordar… Aos 12 anos entrei na escola que acabou com a minha vida (e com a do Yguin BF Tuiteiro Blogueiro Arabian Nights), cujo nome não revelarei porM questõesM deM éticaEMEEEE. E tive que sair de todos os esportes que me deixavam magra apesar de tanto chocolate pipoca sorvete. Aí eu comecei a engordar, bem naquela fase que a gente fica insuportááável da adolescência. Chegaram os hormônios em baldes trazendo bigode, cólicas horríveis e uma mudança de humor assustadora. E claro, mais chocolate. Foi então que eu tive a brilhante ideia de colocar tudo pra fora. A bulimia não era bulimia na minha cabeça. Bulimia era vomitar o que comia… no Wikipédia, mas na minha cabeça era só vomitar ali rapidinho jurando nunca mais fazer de novo. Por cinco anos. Aos 17 a coisa apertou. Eu comecei a sentir muitas dores no estômago e a garganta vivia ferrada, a pele ficou uma bosta, o cabelo quebrava, a unha quebrava e eu comecei a ter medo de morrer. Mas guardei esse medo por mais um ano e consegui ficar um bom período sem vomitar… Mas o complexo "to gorda eu fico horrorosa gorda olha como eu to gorda, meu Deusssss, eu era tão magra e agora to gorda… Vou comer pra ficar mais feliz" voltou e, obviamente, as crises de dar à privada muito mais do que ela pedia também. Aos 18 contei pro meu melhor amigo e ele, super CAMARADA, me obrigou a contar pra minha mãe na mesma hora. Contei pra ela e foi… assustador. Era a primeira vez que eu me denominava "bulímica". Foi quando o Teatro voltou pra minha vida. AGORA VEM A PARTE BONITA E DESFECHO COM MENSAGEM DE ESPERANÇA. Entrei na faculdade de Teatro e o primeiro período era todo voltado para o estudo do Self e aceitação do "eu". E eu aprendi a me respeitar. Não vou falar que aceitei meu corpo 100% do dia pra noite, nem que amo essa pancinha que de mim não sai nem com muita corrida… Mas, com o tempo, a gente vai aprendendo a perdoar todo mundo, inclusive nós mesmos, e com esse mesmo tempo, vamos gostando mais de viver e querendo viver mais tempo, com pancinha ou sem. A crise de adolescência passa e você descobre que ser adulto é sentir felicidade em ter responsabilidade. Uma hora você para de querer que alguém cuide de você e começa a fazer isso sozinho e direito. É tudo questão de tempo. Sempre é. A gente aprende a respeitar o tempo e aceitar que tudo bem só estar magra daqui a 10 meses… Quem sabe 1 ano… Ou 2… Arriscando 3… As vezes até 5. Mas tendo a certeza que vai ter um coração saudável batendo ali… Batendo forte por todo esse chocolate que existe no mundooooo.

É isso, boa sorte e parem com esse caralho porque foi o Ó deixar meus dentes brancos e fortes novamente. Se quiserem conversar eu respondo todo mundo. Hoje eu acordei pra dar amor. Beijos, fofuxas (não to chamando de gorda).

 

natNat Vanin Eu sou sincera demais, vocês já devem ter percebido. Principalmente no meu twitter (segue lá @natvanin #ad #publi). Isso vem desde pequena. Teve uma festa de aniversário do meu “namoradinho” e quando minha mãe foi me buscar, eu sai da casa andando até o carro, criticando a festa IN-TE-I-RI-NHA. “Mãe, o bolo tava estragado, os brigadeiros envenenados, o macarrão azedo” e minha mãe faz uma cara de pavor, olho pra trás e dou de cara com a minha “sogrinha”. Ela foi fina e respondeu: “Nat da próxima vez eu prometo melhorar.” Não preciso nem dizer a bronca que eu levei quando entrei no carro né? Respondi pra Mami: “só falei a verdade, tava tudo ruim mesmo.” Hahaha Hoje em dia continuo falando a verdade, só que aprendi a dizer na cara da pessoa. Desculpa. Mas hoje eu to frase de efeito, to querendo passar uma mensagem, mesmo que eu mesma não a compreenda afundo. Eu não admito ouvir uma crítica, choro e fico nervosa. Sabem por quê? Todas essas críticas eu já fiz a mim mesma, e de uma maneira muito mais dolorosa. O que eu posso fazer? Tentar melhorar o que eu não gosto em mim. É difícil? MUITO. Vamos lá #bolsaterapia.

 
 

10438824_10152480175584637_481885376_nMariana Vasconcellos Ai. Eu e minha super autoestima saímos com um cara do Tinder uma vez, de vestido colado e batom vermelho. O telefone dele começou a apitar durante o jantar e, ele, muito educado, respondeu na minha frente um áudio “hoje não posso, galera, tô saindo com a mais gata de BH”. ME ACHEEEEEEEEEEEEEEEEI. Eu sou lindaaaaaa merrrrmo. Comigo de batom vermelho ninguém poooooooode, meu vestidinho preto indefectíiiiiiiiiivel. Chegou mais um áudio. “Sério, cara? Manda uma foto dela aí então”. O cara me olhou, eu sorri, fiz que sim com a cabeça, batemos uma selfie romântica. Depois de tanta prova de amor, peguei o cara. Enquanto a gente tava no maior clima bom, falando sobre os nossos planos pro futuro, chegou mais um áudio. E ele disse: “ah, meus amigos responderam, vamos ouvir”. Abriu. Gente, me abraça! Os amigos fizeram um coro falando MAIS OU MEEEEEEEENOS, MAIS OU MEEEEEENOS. Queria ser um avestruz pra enterrar minha cara no chão. E o tinderzinho de uma figa, ao invés de dizer que não fiquei no meu melhor ângulo na foto, que estou num péssimo dia, que acabei de fazer um transplante facial, como a maioria de nós, mulheres, faríamos, sabe o que ele fez? RIU! Riu muito da minha cara e trocou meu nome na agenda dele pra Mari Mais ou Menos. Minha autoestima nunca mais se restabeleceu completamente depois desse golpe. E olha que eu nem me achei feia assim na foto. 

E aí, qual a resposta de vocês para essas perguntas? Vamos fofocar nos comentários!

Isabela Freitas

Isabela Freitas é escritora, blogueira, e exagerada. Louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua. Prega o desapego às coisas que não lhe fazem bem, e acredita que o otimismo e palavras bonitas podem mudar vidas. E aí, pronto para mudar a sua?

Playlist: Para se animar!

Música, Playlist

large-295

 

Fiz uma seleção com os maiores sucessos do momento, para você se animar e dançar sozinho em casa :) 

Ah, e só pra justificar, não tem o cd novo da Taylor Swift ainda no Rdio. Então não consegui adicionar nenhuma música. E eu queria colocar todas, hehe.

Me sigam lá no Rdio

Isabela Freitas

Isabela Freitas é escritora, blogueira, e exagerada. Louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua. Prega o desapego às coisas que não lhe fazem bem, e acredita que o otimismo e palavras bonitas podem mudar vidas. E aí, pronto para mudar a sua?

Érica

Contos e Crônicas

large-294

O que torna um momento tão mágico e singular?

É a brevidade da sua natureza, o simples fato de ser um curto intervalo limitado de tempo em um todo, onde tudo pode acontecer. Por que não é planejado, não está escrito, não foi premeditado. Cheio de surpresa invade nosso corpo desbravando nossos sentimentos mais profundos em uma escala tão atemporal que eu poderia facilmente escrever um livro de quinhentas páginas com cinco segundos da minha vida.

Eu sempre gostei de quem tem uma boa história pra contar, e boa não significa com finais felizes, mas sim um sorriso no rosto de quem divaga experiências por ai sem embaraços, sempre com o tom da experiência em cada palavra, são boas conversas pra sexta à noite com os amigos no bar, sem dúvida. E isso me lembra duma porção de velhas histórias que já aconteceram comigo. Crônicas da minha vida sobre algumas das almas que cruzarem com a minha deixando uma porção de pontas soltas e laços mal feitos.

Isso me lembra, particularmente, Erica.

Cheguei tão cedo sábado na boate da cidade, acreditando que aquela noite seria tão fatal que não haveria mais espaço na pista… Estava vazio! Ou realmente era cedo. Sozinho eu encostei-me ao muro e mandei uma mensagem para os amigos que chegariam mais tarde por lá. Antes do celular descer das minhas mãos ao bolso do meu jeans rasgado, meus olhos cruzaram o dela. Na verdade não, meus olhos cruzaram primeiro com aquela tatuagem super sexy na sua coxa esquerda, que o frio não parecia intimidar, era uma bela coxa com uma tatuagem, mas muito além, era uma linda moça com um sorriso encantador. Fiquei olhando, encarando, de longe apenas com aquela falsa sensação de que o olhar era retribuído, enfim entrei na festa.

Lamentável ser o primeiro a pisar na pista de dança, sozinho e perdido até então. Já me era tão comum que eu nem lembraria daquela moça se ela não tivesse me abordado cinco minutos depois “oi, você é familiar, a gente se conhece será?” Em vinte e dois anos e alguns quebrados eu achei que isso só acontecesse em filmes. “nossa você é muito familiar também” mentia eu deslavadamente. “deve ter sido daquela festa lá..” definitivamente foi, pensei eu, ironicamente.

Trocamos algumas palavras próximos ao bar da boate, meus amigos chegaram e visualizando a cena sumiram instantaneamente. Ela que estava com algumas amigas também havia deixado elas na pista, e eu estranhamente gostava daquela química misteriosa que surgia de uma maneira até então inédita. Dançamos, bebemos, sorrisos. Por alguns minutos mais adentro da madrugada eu me peguei silencioso apenas parado ao lado daquela desconhecida, ela ficava ali, parada também, meio olhar em mim, meio olhar para o vazio, aquilo que chamamos de ‘silencio constrangedor’ se a música não estivesse literalmente arrancando meus tímpanos pra fora. Como sempre muito devagar eu conclui: “ela deve querer algo, ninguém fica parado feito idiota do lado de um desconhecido” ainda mais esse último sendo eu “vamos pra outro lugar, tá muito barulhento aqui” disse eu, recebendo o aceno mundial com a cabeça para ‘sim’.

Meu carro fedia a banana podre, na verdade era da minha vó, mas eu respirava aliviado acreditando que o carro super caro e maneiro compensaria o mau cheiro. A gente até tenta não acreditar nessa de impactos a primeira vista e status sociais, mas bem, fica pra outra hora. O mirante estava lindo, parecia uma passarela para dentro da madrugada estrelada, tendo a lua como protagonista no meu teatro casual.

Eu por sorte tinha um violão no porta malas, e não adianta pensar que era golpe baixo, realmente estava lá por acidente. E então how deep is your love? eu disse com aquele sorriso libertino. Demos boas risadas ali, paramos de repente e o silencio acariciava nosso momento, dessa vez não constrangedor, mas sim em tom de ternura, que soprava com o vento levemente na minha orelha dizendo “beije logo essa mulé homi de deus”, e rindo do meu próprio eu-lírico dentro de mim me aproximei lentamente colocando a mão na nuca dela. Os enormes cabelos vermelhos ficaram ali pendurados no ar e nossas bocas quase se tocaram.

“Algum problema?” eu disse, recuando dez centímetros dos centros de gravidade dos nossos lábios, sim eu meço esse tipo de coisa. “Não…” e quando uma mulher diz não, é sim, quando diz sim pode ser não, ou sim também, ou nada, ou até tudo. “Eu juro que poderia não te beijar hoje e passar o resto da madrugada olhando esse brilho bonito nos seus olhos, mas de verdade eu gostaria muito de te beijar e gostaria também que você me poupasse de tentar adivinhar o que você está tentando não dizer pra mim” Ela sorriu com as palavras, e sim, eu falo coisas bonitas, eu sempre fui uma espécie de poeta ou trovador, meus amigos acham que eu sou gay.

“A gente nem sabe o nome um do outro… A questão é que eu tava pensando em como esses primeiros momentos são sempre tão mágicos e singulares, tudo devido à brevidade da sua natureza, ao limitado período de tempo em um todo onde tudo pode acontecer de modo tão atemporal que a gente poderia escrever segundos em quinhentas páginas…” Ela filosofava como a mãe dos meus filhos, eu poderia pedi-la em casamento ali mesmo, sem antes mesmo beija-la uma única vez. Mas ela continuava falando e eu voltei a prestar atenção “…isso me incomoda, sabe, ter que depois jogar tudo isso fora, sabendo que o tempo vai passar e a realidade vai jogar essas coisas bonitas em uma história cheia de defeitos e imperfeições”

Ela tinha toda a razão, a magia acabava, durava breve o suficiente para selar o momento e depois se perdia pelo ar com o fim do mistério, do novo, do desconhecido… “vamos fazer assim, tornar essa noite única, amanhã não nos veremos, sem telefones, nomes e nunca mais se encontraremos de novo, só assim daqui cinquenta anos, quando bem velhos a gente vai lembrar disso e de como foi perfeito em cada detalhe, sem que haja a menor chance de se tornar uma lembrança ruim” e terrivelmente aquilo fazia todo o sentido do mundo, eu desviei os olhos pro céu por um instante e pensei “diabos, por que não” e a beijei.

Escorregava a mão pelo seu rosto e ela me apertava contra seu corpo, a gente quase deitou ali mesmo, mas o sereno havia molhado as madeiras do deck e o frio começava a arrepiar a nossa pele, eu fui dizer “quer ir pra…” e ela completou “MINHA casa.” Meu Deus, por que eu não podia casar com aquela desconhecida? A gente chegou lá e meu cérebro de engenheiro até calculou um momento fletor de uma viga que começava a fletir na sala podendo vir a ruir num futuro próximo, mas logo ela estava semi nua e por deus se eu conseguia pensar em mais alguma coisa, abre parênteses para um texto inteiro sobre como ela era maravilhosa, fecha parênteses foi uma noite inesquecível das melhores possíveis.

Ainda ali na cama dela eu identificava uma falha “como vamos tornar isso imortal se amanhã eu decidir aparecer na porta da sua casa com flores?” Ela sorriu, disse que eu era um fofo e então falou: “Eu me chamo Érica”. Eu fiquei particularmente confuso, e quando percebi, ela me chacoalhava perguntando meu nome. Fiquei tão embebido com aquilo tudo que na manhã seguinte fomos ao shopping almoçar e ao final ela disse “tenho que ir”, e eu em tom casual “ainda não tenho seu número” e ela franziu o rosto mudando de expressão e eu pensei ‘droga, ela realmente não mudou de opinião’. Ainda tentei um “mas se você for embora agora eu vou ver você se afastando e saindo por aquela porta, não é uma boa lembrança” Ela se aproximou carinhosamente, me deu um abraço, “feche os olhos” eu obedeci, ela me beijou ternamente em um momento particular infinito e concluiu “conte até cinco, engenheiro!” e assim feito, abri os olhos, ela não estava mais lá. Olhei todas aquelas pessoas na praça de alimentação, sentei, pedi um sorvete.

Você deve pensar a uma altura dessas “claro que você foi atrás dela né?” e eu te digo, fui sim, inclusive no dia seguinte, e lá estava a casa dela, com uma placa de aluga-se estampada na janela, vazia.

Quando consegui respirar de novo fui até lá e não consegui informação alguma sobre ela com o responsável. Passei dias feito espião da Interpol buscando um terrorista perigoso, e nada, só um nome, um primeiro nome “Ana” que estava relacionado a casa antes de ser alugada. Ou seja, ainda por cima seu nome se quer era o que eu achava que fosse. Eu olhava para aquela grafia linda quando ela escreveu “Erica” no meu braço naquela noite e quase apagado depois de alguns banhos eu ainda enamorava aquele ‘E’ bonito e grandioso que parecia relutar a se apagar dentre as outras letras. Foi ai que na dúvida comecei a chamá-la de Efêmera. Fazia todo o sentido.

Eu relutei contra esse destino por semanas inteiras, escrevi e relatei aos amigos. A lenda da efêmera se tornou popular, e eu me recusava amargamente a acreditar que aquilo poderia ter tido um fim ruim mesmo com toda aquela química entre nós.

Meses depois, hoje especificamente, eu a encontrei na mesma boate, ela estava linda, e ao me ver desviou claramente o olhar, me evitou e passou batido por mim, torcendo para que eu não a tivesse reconhecido. E então só ai eu percebi o meu erro de não imortalizar aquela história fechando as pontas que eu insistia em deixar soltas em sonhos que jamais se tornariam reais, e assim, deixava mais uma vez a realidade acabar comigo e tudo o que aquele rosto bonito um dia havia simbolizado para mim.

Vesti meu casaco e fui embora. Não olhei para trás.

A noite estava linda, como a efêmera existência.

Tenho 22 anos, formando em engenharia civil, aspirante a músico e escritor. Apaixonado por séries, poesias, tatuagens, ruivas e gatos. Exagerado, tímido e romântico a moda antiga, sem conserto. Gosta de falar do amor e suas artimanhas, um livro totalmente aberto: www.kauedepaula.blogspot.com.br https://twitter.com/Kauepereiradp

Viaje comigo: Bienal de Minas em BH

Vídeos

bienal4

Na onda dos vlogs de viagem, vem viajar comigo na minha ida a Bienal de Minas em Belo Horizonte :) Vamos assistir?

Gostou do vídeo? Se inscreva no canal, e dê seu like no vídeo

Isabela Freitas

Isabela Freitas é escritora, blogueira, e exagerada. Louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua. Prega o desapego às coisas que não lhe fazem bem, e acredita que o otimismo e palavras bonitas podem mudar vidas. E aí, pronto para mudar a sua?